Poder e Governo
Vorcaro orienta ex-sócio a restringir acesso ao contrato com escritório de mulher de Moraes
Mensagens revelam tentativas de ocultação de informações
Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele orientou um então sócio, Angelo Silva, a restringir o acesso ao contrato firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No dia 1º de abril de 2025, Vorcaro procurou Angelo para perguntar sobre a localização do documento. “Oi. Contrato Barci de Moraes. Tá onde?”, questionou. O então sócio respondeu que precisaria verificar: “Tenho q ver... O q precisa?”. Em resposta, Vorcaro disse: “Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso”. Angelo respondeu: “Ok. Vou localizar amanhã”.
O contrato ao qual Vorcaro se referia previa o pagamento de R$ 131 milhões ao escritório de Viviane Barci de Moraes ao longo de três anos, com mensalidades de R$ 3,6 milhões. O documento foi revelado pelo GLOBO em dezembro de 2025 e tinha um escopo amplo, prevendo consultoria e atuação jurídica para o Banco Master.
Nas conversas com Ângelo, Vorcaro demonstrava preocupação em realizar os pagamentos ao escritório de Barci. Em 15 de março de 2025, ele cobrou o então sócio sobre um pagamento relacionado ao escritório: “Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas. Manda pagar agora”, escreveu. Em fevereiro, ele também questionou Angelo sobre um pagamento: “Pagou aquele contrato 3mm (3 milhões)?”.
O celular de Vorcaro foi apreendido durante as investigações envolvendo o Banco Master, e os dados do aparelho foram analisados pela Polícia Federal. Entre os documentos encontrados pelos investigadores está a minuta do contrato firmado com o escritório de Viviane. Os metadados do arquivo, segundo reportagem do Estado de S. Paulo publicada nesta terça-feira, mostraram que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
As novas mensagens se somam a outros diálogos encontrados pela PF, que evidenciam a relação mantida entre Vorcaro e Moraes nos dias que antecederam a prisão do banqueiro. Em 14 de novembro de 2025, três dias antes de sua prisão, Vorcaro escreveu ao ministro: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com a sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”.
Vorcaro redigia essas mensagens em um bloco de notas do celular, fazia um print e enviava o conteúdo a Moraes pelo WhatsApp como foto de visualização única.
No dia 16 de novembro, um dia antes de ser preso, Vorcaro voltou a contatar Moraes para solicitar um encontro: “Podemos nos ver amanhã rapidamente algum horário? Vou na parte da tarde então. Veja um horário que não vai te atrapalhar muito. Pode ser bem rápido”, escreveu.
No dia seguinte, 17 de novembro, vorcaro foi preso pela primeira vez no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai. Mensagens encontradas pela PF no celular também indicam que, na semana anterior à prisão, o banqueiro havia pedido a Moraes ajuda para tentar adiar uma operação, mencionando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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