Poder e Governo
Paes critica governo do PL do Rio ao comentar operação contra a máfia das cantinas: 'Desbarataram mais um esquema'
Candidato ao governo fluminense associou adversário Douglas Ruas à gestão de Cláudio Castro, seu correligionário
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) criticou os governos do PL do Rio de Janeiro ao comentar a operação do Ministério Público, nesta terça-feira, contra a máfia das cantinas nos presídios do estado. Candidato ao governo, Paes aproveitou a ação para vincular o adversário Douglas Ruas, atual aposta do PL para o Palácio Guanabara, às gestões dos ex-governadores Cláudio Castro e Wilson Witzel, os últimos governadores do partido.
— Hoje, desbarataram mais um esquema do governo do PL do Rio: corrupção de cantinas do sistema penitenciário. Enfim, é o que venho dizendo há muito tempo. Essa turma roubou em todas as áreas da administração. Por isso, eu digo que é uma máfia do governo Castro, Witzel e do PL do Rio, que, agora, está representada pela candidatura do Douglas Ruas. Querem voltar ao poder para continuar roubando — afirmou Paes em vídeo publicado nas redes sociais.
Desde o início de sua campanha, Paes atribui a Douglas Ruas a continuidade dos governos de seus correligionários, em especial o de Cláudio Castro, que está sendo investigado pela Polícia Federal por gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado, além de crimes contra a ordem econômica relacionados à comercialização de combustíveis. Em contrapartida, Ruas tenta desvincular seu nome ao de Castro, comentando pouco sobre o governo dele, do qual foi secretário de Cidades durante quase três anos.
Durante sabatina da Folha de S. Paulo e UOL no mês passado, Ruas deixou de avaliar o governo de seu antecessor, afirmando que discordava da forma como a Segurança Pública foi conduzida, especialmente pela manutenção de padrões que, segundo ele, desvalorizam e coibem o trabalho policial. Entre os exemplos, citou o índice de mortes por intervenção de agente do estado, que, elevado, penaliza administrativamente o agente.
No pronunciamento nas redes sociais, Paes também destacou, com base em notícias, que um dos investigados pela operação desta terça era um ex-subsecretário do governo.
— O ex-subsecretário de Administração Penitenciária estava envolvido no esquema. O mais incrível é que ele já tinha sido preso ou alvo de operação em 2020 por desvio de verbas. Sabe qual é a diferença entre meu governo e essa turma do PL do Rio, do Cláudio Castro e do Douglas Ruas? Nunca um sujeito desse ocuparia um cargo de importância em um governo meu — completou Paes.
“Máfia das Quentinhas”
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) é o responsável pela operação contra o grupo que explorava as cantinas instaladas em presídios do Rio. De acordo com o órgão, a organização criminosa, chamada de “máfia das cantinas”, manteve um esquema por quase dez anos para eliminar a concorrência nas licitações destinadas à administração dos espaços e contava com a aliança de agentes públicos, incluindo um subsecretário. O prejuízo estimado aos cofres públicos passa de R$ 25 milhões.
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que participa da ação desta quinta-feira e que as atividades das cantinas nos presídios foram encerradas em 2024.
— O relatório produzido pela investigação foi encaminhado ao Ministério Público, que, após análise dos fatos apurados, ofereceu denúncia contra os investigados. A Seppen reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta e cometimento de crimes por parte de seus servidores, e reafirma seu compromisso com a transparência pública, operando sob o controle da legalidade para garantir a ordem do sistema prisional fluminense — diz a nota da pasta.
Envolvimento de agente público
Segundo a denúncia, a organização criminosa era controlada pelos denunciados Anderson Sabino de Oliveira, o policial penal Ronaldo Barbosa Souza, Arildo Santana Filho, Sérgio Rômulo Ferreira do Nascimento, Leandro Rodrigues Mendonça e Alexandre Costa da Silva. As investigações mostraram que eles eram os responsáveis por acertar previamente a distribuição dos lotes de cantinas entre as empresas do grupo.
A denúncia ainda afirma que, em alguns casos, eles faziam manobras para desclassificar eventuais vencedores que não integravam o esquema. Para isso, utilizavam alianças com agentes públicos, como o então subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento, Rafael Rodrigues de Andrade, também denunciado. De acordo com a denúncia, para favorecer o esquema, ele desclassificou sociedades empresariais que não eram vinculadas ao grupo.
Além da responsabilização pelos crimes, o Gaeco pediu a condenação dos denunciados ao pagamento de R$ 25 milhões para a reparação dos danos causados. A ação desta terça-feira é a segunda fase da operação Snack Time, deflagrada pelo GAECO/MPRJ em novembro de 2024, quando foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão como parte da investigação do esquema.
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