Poder e Governo

Fachin se reúne com Andrei Rodrigues em meio ao desgaste entre cúpula da PF e Mendonça

Agenda oficial prevê discussão sobre segurança da informação no sistema de Justiça

Agência O Globo - 31/08/2026
Fachin se reúne com Andrei Rodrigues em meio ao desgaste entre cúpula da PF e Mendonça
Edson Fachin - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Em meio ao desgaste entre a cúpula da Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, Edson Fachin, se reúne nesta segunda-feira com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

O encontro está previsto para as 14h, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a agenda oficial de Fachin, a pauta da audiência é a "segurança da informação no sistema de Justiça". Também participarão a secretária-geral do CNJ, Clara Mota, e o coordenador do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação do conselho, João Felipe de Menezes Lopes.

A reunião ocorre em um momento de tensão na relação entre Mendonça e a cúpula da PF. O ministro é relator das investigações mais sensíveis na Corte, entre elas apurações relacionadas aos casos Master, INSS e Lulinha, e adotou medidas que provocaram reação da corporação.

Entre os pontos de atrito estão determinações de Mendonça relacionadas à manutenção das equipes responsáveis pelas investigações e ao envio de documentos integrais das apurações ao seu gabinete. A cúpula da PF avaliou que algumas das medidas representam uma espécie de microgestão e extrapolam o papel de supervisão judicial, atingindo a autonomia administrativa da corporação.

O desgaste levou a PF a procurar a Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir uma reação institucional às determinações. O advogado-geral da União, Jorge Messias, no entanto, tem resistido a levar a disputa para o campo jurídico e apostado na interlocução política para tentar reduzir a tensão.

Como mostrou O GLOBO, Fachin também passou a atuar como interlocutor no impasse. Na semana passada, o presidente do STF recebeu separadamente Messias e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. O magistrado tem demonstrado preocupação com os efeitos de uma escalada da crise sobre as próprias investigações e defendido que eventuais problemas na atuação da PF sejam corrigidos sem enfraquecer ou deslegitimar o trabalho da corporação.