Poder e Governo

Oposição tenta articular reunião com Motta e Alcolumbre para reagir a pacto com Lula

Aliados de Flávio Bolsonaro tentam impedir que Congresso faça acenos a petista nas vésperas da eleição

Agência O Globo - 27/08/2026
Oposição tenta articular reunião com Motta e Alcolumbre para reagir a pacto com Lula
Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre - Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Parlamentares de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentam marcar uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para impedir que o Congresso avance com propostas que tenham sido como bandeiras eleitorais pelo petista.

Lula e Flávio são os principais candidatos à Presidência da República. O Congresso deverá realizar, na semana que vem, o último período de votações antes das eleições, em outubro.

Motta e Alcolumbre se reuniram na quarta-feira com Lula e fecharam um acordo para avançar com diversas iniciativas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.

Após o aceno ao petista, os parlamentares bolsonaristas também querem se reunir com os chefes das duas Casas Legislativas.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse ao GLOBO que há previsão de que a reunião aconteça na próxima semana.

— Vamos falar com os presidentes (da Câmara e do Senado) na semana que vem.

Lula, Motta e Alcolumbre anunciaram após a reunião de quarta que a Medida Provisória que termina com a chamada “taxa das blusinhas” terá todas as votações do Congresso concluídas na próxima semana.

Também foram anunciados acordos para votar no plenário do Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos e o projeto que estabelece o Redata , o plano nacional de incentivos para o setor de data centers.

Em relação à proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 e a chamada PEC da Segurança, que reforça o papel da União na área, o acordo é que os relatórios são elaborados pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas sem menção à votação no plenário.

Parlamentares da oposição tentam barrar principalmente o avanço das duas PECs. É evitar um discurso contra o mérito das medidas, que possuem apelo popular, mas a avaliação é que elas são complexas e devem ser provas de forma menos célere e fora do período eleitoral.

Apesar de indicar avanços, o presidente do Senado tentou falar em concluir a tramitação na próxima semana e disse, após a reunião com Lula, que as duas propostas “merecem, sim, o debate, o diálogo, a discussão e a deliberação”.

Os senadores aliados de Flávio receberam diversas emendas aos textos para tentar modificar os escopos das propostas.

Uma emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) tenta replicar no texto da PEC do fim do 6x1 uma proposta alternativa de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador da campanha de Flávio.

Pela iniciativa, a compensação de horários e a redução da jornada poderiam variar e seguir diferentes modelos, que seriam feitos por convenção coletiva.

Na tramitação da PEC da Segurança, há também tentativas de parlamentares aliados de Flávio de mudarem a proposição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) propôs uma emenda para fortalecer os estados frente à União e sugeriu descentralizar a legislação penal, permitindo que os estados possam legislar sobre direito penal e processual para enfrentar o crime organizado.

O relator escolhido para a PEC do fim da 6x1 é Omar Aziz (PSD-AM) e o responsável pela PEC da Segurança é Rogério Carvalho (PT-SE). Ambos são aliados do governo e já afirmaram que vão manter os textos aprovados pela Câmara para evitar que as iniciativas voltem à análise dos deputados.

Por outro lado, parlamentares bolsonaristas também apostaram em mudar os textos por meio de apresentação de destaques, com votação de trechos de forma separada.

Tanto a PEC do fim da 6x1 quanto a PEC da Segurança foram mencionadas de forma recorrente por Lula em atos de campanha. A PEC do fim do 6x1 é encarada como uma proposta de apelo popular entre os trabalhadores e a PEC da Segurança tem sido apresentada por Lula como uma ação do governo para mitigar a crise de segurança pública, com o avanço de facções.