Poder e Governo
Advogado de Lulinha se reúne com Mendonça e solicita investigação sobre vazamentos
Uma investigação interna da Corregedoria da PF examina a divulgação indevida de informações
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou a conversar com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre o que classifica como "vazamentos" de informações dos três inquéritos a que Lulinha responde no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda nesta semana, o advogado tentará um encontro com o ministro André Mendonça, do STF, onde estão dois processos de Lulinha na Corte. Um terceiro, que está sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
O defensor tem cobrado nas conversas informações sobre o andamento da apuração dos vazamentos e a responsabilização de servidores que eventualmente tenham contribuído para a divulgação de informações da investigação. Em outro momento, o advogado de Lulinha já havia reclamado da divulgação de informações com o ministro da Justiça.
— Relatei a eles que estou extremamente preocupado e pedi informações sobre o andamento dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos. Não vi nada parecido. Não tem precedentes nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer? — afirmou Carvalho.
Um procedimento aberto pela Corregedoria-Geral de Polícia Federal (Coger) investiga internamente a divulgação de informações. O ministério da Justiça pediu à PF que informe a pasta sobre o passo a passo da apuração. Além disso, há investigações com esse foco determinadas por Mendonça e Dino.
Na semana passada, o advogado reclamou dos vazamentos com Lula em uma conversa no Palácio do Alvorada. O defensor afirmou que, após ouvir a queixa, Lula perguntou se havia algum procedimento para apurar a divulgação de informações e recebeu resposta positiva. Ainda de acordo com o advogado, o presidente defendeu que o filho preste depoimento e esclareça tudo que for necessário à PF. A defesa, no entanto, alega que Lulinha, que mora em Madri, na Espanha, só virá ao Brasil se for chamado pelos policiais.
Os inquéritos apuram se Lulinha praticou tráfico de influência e "abriu as portas" do governo para a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga. Ela é sócia de uma consultoria que tentou fazer negócios no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos.
Diálogos entre os dois, obtidos pela PF e revelados na última semana, mostram que discutiam negócios em conjunto. Em uma das conversas, em 22 de março de 2024, a empresária diz: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe". O filho do presidente responde: "Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada".
Em outra mensagem a Lulinha, a empresária comenta sobre um almoço com Berger, referência a Swederberger Barbosa, na época secretário-executivo do Ministério da Saúde, segundo posto mais importante da pasta.
Apesar de o negócio envolvendo o fornecimento de medicamentos à base de cannabis não ter sido fechado pelo Ministério da Saúde, um inquérito no STF investiga se houve irregularidades na atuação de Luchsinger, Lulinha e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que contratou Roberta para tentar viabilizar o negócio.
O filho do presidente ainda responde a outros dois inquéritos no Supremo por supostamente ter atuado com a amiga em outros órgãos do governo, como a Dataprev.
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