Poder e Governo

Zema na TV Globo: candidato minimiza situação fiscal de MG, ataca governo federal e critica STF

Candidato do Novo abriu a série de entrevistas com presidenciáveis, que serão exibidas ao longo da semana logo após o 'Jornal Nacional'

Agência O Globo - 25/08/2026
Zema na TV Globo: candidato minimiza situação fiscal de MG, ataca governo federal e critica STF
Romeu Zema - Foto: Reprodução / Instagram

O ex-governador Romeu Zema (Novo) defendeu sua gestão em Minas Gerais e afirmou que o aumento da dívida do estado com a União cresceu em função da cobrança de juros típica de "agiotas" pelo governo federal. Durante entrevista à TV Globo, o presidenciável também voltou a criticar as condenações dos envolvidos no 8 de Janeiro, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e subiu o tom contra a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso.

— Quero explicar. A dívida de Minas foi toda feita no passado. Não fiz um empréstimo. Essa dívida foi herdada dos anos 1990, e cresceu muito devido aos juros de agiota do governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria, paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que quando eu assumi. Alguém deve R$ 10 mil; se ele ganha R$ 3 mil por mês, essa dívida pode ser considerada elevada. Se alguém ganha R$ 40 mil, pode ser que ele tenha capacidade de pagar — disse.

Zema também defendeu as privatizações de estatais feitas por ele no estado, como a da Copasa, de saneamento básico, e disse que fará o mesmo nas empresas brasileiras, que, de acordo com ele, estão "subaproveitadas". O ex-mandatário mineiro afirmou ainda que, caso eleito, dará reposição dos salários compatível com a inflação anual, e se descreveu como "governador voluntário" ao argumentar que "doou todo o salário" durante seu tempo à frente do estado.

Questionado sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Zema disse que discorda das condenações, argumentou que os crimes não foram consumados e afirmou que defende o indulto a Jair Bolsonaro.

— Eu discordo porque não existe na História uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo e depredação como aquele que aconteceu em janeiro de 2023. Eu darei anistia, ou pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político. Que seja judicial. O que vimos no Brasil foi perseguição. (...) O crime de sujar o monumento foi adiante. Deterioração, tudo bem. Deve-se punir pelo vandalismo — afirmou.

Inspiração em Bukele

Defensor do sistema de "superencarceramento" implementado pelo presidente Nayib Bukele, de El Salvador, Zema também classificou o sistema de Justiça brasileiro como "lerdo e um dos mais caros do mundo".

— No dia em que tivermos uma Justiça que julgue rápido, vamos ter condições de colocar bandido atrás das grades. Fui a El Salvador em maio do ano passado para conhecer o avanço extraordinário que aquele país teve na redução de homicídios. O Brasil há décadas é o recordista mundial de homicídios. É como se aqui no Brasil todos os dias um avião de grande porte caísse, e isso está normalizado. Eu vou mudar isso — afirmou.

Regime de trabalho e escolas integrais

Como bandeira de campanha, Zema também disse que quer "simplificar as leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora", assunto que tem sido abordado por ele desde a semana passada como estratégia para alcançar o segmento de trabalhadores por aplicativo. Questionado sobre uma nova reforma da Previdência, prevista por ele em seu plano de governo, o ex-governador negou que mexerá na idade mínima para a aposentadoria e afirmou que a mudança dependerá do estado das contas públicas.

— Vamos mexer à medida que a expectativa de vida aumentar, e a depender da arrecadação com a maior formalização. Tudo isso vai depender do sucesso dos ajustes que vamos fazer. O bom exemplo vai vir de cima: eu venho do setor privado e vi como o Estado carece de boa gestão e pode melhorar a eficiência. Dá para fazer um ajuste muito grande. O brasileiro já trabalha muito, não quero que trabalhe mais. Quero a renda do brasileiro aumentando — respondeu.

Durante a entrevista, Zema também se colocou como "empreendedor assim como a maior parte dos brasileiros", em referência à sua atuação em sua empresa familiar de varejo e eletrodomésticos. O governador também afirmou que, caso eleito, ampliará em "dez vezes" o modelo de escolas integrais pelo país. Ao responder sobre vacinação, o ex-mandatário afirmou que "tomou todas as vacinas contra a Covid-19", mas disse que é contra a "perseguição de famílias" que recusam a medida.

Operação Rejeito e corrupção

Ao responder sobre a Operação Rejeito, que investigou um esquema bilionário de fraudes em licenças ambientais e exploração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais, negou conhecimento sobre os desvios enquanto comandava o estado e disse que defendeu a punição dos responsáveis:

— Fica aqui o meu repúdio a esses bandidos que, além de estarem recebendo dinheiro, estavam destruindo o meio ambiente. A Controladoria-Geral do Estado, subordinada a mim, já estava investigando. Quero que tudo seja apurado e esses bandidos mofem na prisão. Num estado com 300 mil funcionários, sempre está sujeito a surgir algumas frutas podres. E lembrando que tomei todas as medidas. Não quero que nada seja encoberto, ninguém seja protegido, como às vezes acontece em Brasília.

Em suas considerações finais, Zema fez menção aos candidatos ao Senado do Novo Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Ricardo Salles (Novo-SP), considerados competitivos em seus estados e vistos como prioridade para o partido.