Poder e Governo
Paulo Melo, Zito e filhos de Picciani disputam eleição no Rio
Leonardo e Rafael Picciani retornam ao sobrenome nas urnas após abdicarem dele em 2022
Terceiro maior colégio eleitoral do país, o Rio de Janeiro conta com velhos conhecidos da política concorrendo no pleito deste ano. Seja na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa (Alerj) ou de olho na Câmara dos Deputados, veteranos que tiveram candidaturas frustradas nos últimos anos tentaram novamente uma carga na eleição fluminense.
Jogo da eleição do Rio:
Alcioneverso, homônimos, super-heróis e Tadala:
O ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-deputado estadual, José Camilo Zito, volta a concorrer a uma vaga na Alerj, desta vez pelo PDT. Aos 72 anos, Zito é alvo de propostas de impugnação do Ministério Público Eleitoral, conforme contestação feita pelo órgão na semana passada.
Uma certidão da Justiça Federal, enviada ao Tribunal Superior Eleitoral na última quinta-feira, indica cinco processos “com potencial de gerar inelegibilidade”, todos por improbidade administrativa, envolvendo Zito. Procurado pelo EXTRA, o candidato não irá se posicionar antes de “ser julgado”, mas informa que sua defesa “está robusta” diante do pedido do MP.
— Sou (réu) culposo, não obteve benefícios de enriquecimento — observa Zito, que explica a razão da sua nova candidatura. — Sempre tive 30 mil votos e não comprei nenhum; foram todos conquistados pela herança de quando fui prefeito e deputado.
Após perder a tentativa de reeleição à prefeitura em 2012, a gestão de Zito foi marcada pela crise de acúmulo de lixo nas ruas de Caxias, situação gerada pela paralisação da empresa responsável pelo serviço devido à falta de pagamento. Desde então, Zito conseguiu se eleger à Alerj em 2014, mas teve novas candidaturas impugnadas em 2018 e 2022. Logo, em 2016 e 2024, tentou novamente a prefeitura, mas acabou derrotado.
Outro veterano da política fluminense a voltar às urnas é o ex-presidente da Alerj, Paulo Melo, que concorreu ao deputado estadual pelo União Brasil. Melo, um dos presos da Operação Cadeia Velha—junto com os colegas Edson Albertassi e Jorge Picciani—, foi condenado por corrupção passiva e organização criminosa a 12 anos e 10 meses de prisão, dois anos após sua prisão.
Entretanto, em 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal anulou a sua reportagem, entendendo que Paulo Melo deveria ter o direito de se manifestar por últimas declarações de delatores. Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio ainda arquivou o processo da Lava Jato contra Paulo Melo e Edson Albertassi, a pedido do Ministério Público do Rio, que requereu a anulação de provas com base em decisões do STF.
Como Picciani havia morrido um ano antes, seu nome não foi considerado na decisão. Desde então, Paulo Melo só voltou a concorrer no pleito de 2022, mas teve a candidatura a deputado federal impugnada. Em 2024, embora tenha concorrido o prefeito de Saquarema, não conseguiu se eleger. Este ano ainda marca o retorno de Albertassi a um pleito após 12 anos, concorrendo a deputado estadual pelo MDB.
Sobrenome Picciani retorna
Um ano após a morte de Picciani, seus filhos Rafael e Leonardo sugeriram concorrer a deputado estadual e federal, respectivamente, sem o sobrenome do pai em 2022. Na ocasião, ambos acabaram como suplentes — Rafael, inclusive, herdou uma cadeira na Alerj após a morte do deputado Otoni de Paula Pai, dois anos depois.
Agora, os irmãos mudaram de rumo após deixarem o MDB e voltarem a adotar o sobrenome na urna. Rafael Picciani, eleito duas vezes deputado estadual, migrou para a União Brasil, enquanto Leonardo—eleito deputado federal duas vezes—optou pelo PV.
— São eleições diferentes. E, nesta, julgamos importante apresentar este legado a um contingente de jovens que passarão a votar e que talvez não o conheçam — explica o candidato do PV, que trata o uso do nome como "uma honra". — São estratégias eleitorais. Dependendo do contexto, fazemos uma avaliação de qualidade é a melhor estratégia. Neste ano mesmo, fiz uma mudança: passei a usar “Léo Picciani”, em vez de “Leonardo Picciani”.
Entre os herdeiros da política fluminense que retornam às urnas está também Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que concorreu ao deputado estadual pelo Solidariedade. Após ser eleito pela primeira vez em 2014 à Câmara Federal pelo MDB, Marco Antônio participou de mais duas eleições (em 2018 e 2022), mas terminou como suplente, anunciando sua filiação ao novo partido neste ano.
Veteranos em Nova Sequência
Há ainda a presença de veteranos nas urnas, como a alagoana Heloísa Helena (Rede), que concorreu à deputada federal pelo Rio neste ano. A última vez em que foi eleito foi como vereadora de Maceió, em 2012, e desde então, concorreu em mais cinco pleitos – em Alagoas e no Rio – sem ser eleito ou terminando como suplente. Graças a este segundo caso, ela assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados durante a suspensão de Glauber Braga (PSOL) no fim do ano passado.
Entre os suplentes ao Senado Federal, Miro Teixeira (PDT) representa os especialistas políticos de volta às urnas. Aos 81 anos, ele é suplente da candidatura de Pedro Paulo (PSD). Eleito pela última vez em 2014 como deputado federal—cargo que exerceu por 11 mandatos—, Miro tentou a eleição para o Senado (sem sucesso) em 2018, e ficou como suplente à Câmara dos Deputados em 2022.
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