Poder e Governo
Aliado de Eduardo Bolsonaro é preso suspeito de atentado contra ex-namorada na Bolívia
Fernando Cerimedo, ex-estrategista de Javier Milei, já fez lives descredibilizando o sistema eleitoral brasileiro.
O ex-estrategista de Javier Milei e aliado de Eduardo Bolsonaro, Fernando Cerimedo, foi preso nesta terça-feira na Bolívia, suspeito de envolvimento em um ataque a tiros contra Nadia Beller, sua ex-companheira. Segundo o La Nacion, Cerimedo foi detido quando estava prestes a embarcar em um voo para Buenos Aires, na Argentina.
O crime ocorreu na segunda-feira em frente a um prédio na cidade de Santa Cruz. A advogada e ativista foi baleada três vezes por dois homens que chegaram vestidos como entregadores, utilizando capacetes e coletes azuis.
De acordo com o La Nacion, informações preliminares indicam que os criminosos, que ainda não foram identificados, chegaram em uma motocicleta roubada. Um deles atirou em Beller, enquanto o outro roubou sua bolsa e celular. Em seguida, fugiram em uma motocicleta diferente da que haviam utilizado para chegar ao local.
“Ele está sob custódia e estamos investigando se ele tem algum envolvimento. Estamos trabalhando com várias hipóteses; a primeira é que Beller tinha algum tipo de problema amoroso com Cerimedo”, afirmou o comandante da polícia de Santa Cruz, David Gómez, a repórteres.
Amizade com Eduardo Bolsonaro
Após as eleições de 2022 no Brasil, o rosto de Cerimedo ficou conhecido nacionalmente ao divulgar uma live com informações falsas sobre a legitimidade das urnas eletrônicas. À época, o conteúdo foi amplamente disseminado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acabou suspenso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na gravação, o consultor apresentava um suposto relatório com dados que comprovariam fraude no processo eleitoral brasileiro, informações desmentidas pela Justiça Eleitoral.
Cerimedo foi indiciado, em 2024, pela PF, por atuar de forma coordenada com militares para atacar o sistema eleitoral visando a permanência de Jair Bolsonaro no Planalto, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele acabou não sendo incluído na denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Em julho deste ano, ele levantou novamente suspeitas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. As declarações ocorreram dois dias após Flávio Bolsonaro (PL) ter citado informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras ao solicitar a representantes diplomáticos estrangeiros que enviassem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar as eleições de outubro.
Além de ser central na campanha presidencial de Javier Milei em 2023, onde teve a tarefa de monitorar votos, Cerimedo é fundador e acionista do La Derecha Diario, um veículo de comunicação alinhado ao governo libertário e parte do aparato de comunicação do La Libertad Avanza.
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