Poder e Governo

Aliados de Lula se dividem sobre abordagem da campanha em caso Lulinha e temem desgaste

Desdobramentos do caso ampliaram o constrangimento entre petistas e se tornaram pontos vulneráveis da campanha à reeleição

Agência O Globo - 18/08/2026
Aliados de Lula se dividem sobre abordagem da campanha em caso Lulinha e temem desgaste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão divididos sobre como a campanha de reeleição deve tratar as novas revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva , o Lulinha. Um grupo vê necessidade de falar abertamente sobre o caso, mostrando que Lula não poupará o filho, caso sejam irregularidades comprovadas. Outra coisa, no entanto, defende que esse assunto seja deixado de lado para evitar desgastes desnecessários. A avaliação comum é que os inquéritos que apuram a suspeita de tráfico de influência de Lulinha tenham muitos pontos vulneráveis ​​da campanha à reeleição.

Os desdobramentos do caso ampliaram o constrangimento. Amiga de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger , investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, disse em mensagens ao filho de Lula que os dois trabalham em “outro” nível e que o futuro deles é a Suíça. Os diálogos estão sendo analisados ​​pela Polícia Federal.

O conteúdo foi revelado pelo Metrópoles e confirmado pela GLOBO .

Como mostrou o colunista Lauro Jardim , a campanha vê as novas revelações como "fatos gravíssimos".

A falta de consenso interno também atrapalha a estratégia da campanha de destruir a imagem do candidato do PL, Flávio Bolsonaro , e seus vínculos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro .

A linha defendida pelo presidente da legenda, Edinho Silva , pelo marqueteiro Raul Rabelo e pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) Sidônio Palmeira , é usar o tom de que as suspeitas têm que serem investigadas, mas tratando o caso apenas quando houver questionamento, sem abordá-lo. Na segunda-feira, Edinho desenvolveu essa estratégia:

— As denúncias de envolvimento de Fábio, ele (Lula) já disse isso, do mesmo jeito que as denúncias de envolvimento de Marco Aurélio (Marcola), ele quer que sejam investigadas. Que os dois tenham amplo direito de defesa como qualquer cidadão brasileiro, mas, como qualquer cidadão brasileiro, que sejam investigados e que nesse processo possam comprovar sua inocência. É a postura correta que o presidente da República tem que ter — respondeu, ao ser indagado se os episódios poderiam trazer desgaste para a campanha de Lula, em coletiva de imprensa na sede do PT.

Esse núcleo defende que a campanha precisa ser baseada na comparação de como Lula recebeu o governo de Jair Bolsonaro , com o que foi realizado na gestão petista, e deve focar em ampliar a seleção de Flávio junto a uma fatia independente do eleitorado.

Já o grupo que avalia que o assunto deveria ser tratado industrial entende que Lula se distancia da postura do ex-presidente Jair Bolsonaro toda vez que Lula aborda as investigações em relação ao filho e conta que o cobrou sobre seus atos.

Na última sexta-feira, :

— Ele jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele, mas eu já disse para os advogados: "Ninguém vai pedir o fechamento do processo do meu filho". Quer fazer inquérito, faça. Quero que seja investigado, como eu fui — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize.