Poder e Governo

Garotinho muda vice pela terceira vez; ex-Bope André Monteiro entra na chapa ao governo do Rio

Novo vice, também policial, substitui major Elaine Gonçalves, que desistiu da disputa; antes, coronel Venâncio Moura deixou a chapa após o DC apoiar Eduardo Paes.

Agência O Globo - 17/08/2026
Garotinho muda vice pela terceira vez; ex-Bope André Monteiro entra na chapa ao governo do Rio
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho - Foto: Leonardo Prado/Câmara dos Deputados Fonte: Agência Senado

Pela terceira vez, o candidato Anthony Garotinho (Republicanos) troca de vice na corrida pelo governo do Rio. Após a saída do coronel da reserva Venâncio Moura (DC) e, nove dias depois, da major Elaine Gonçalves (Democrata), o ex-governador definiu o ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) André Monteiro (Democrata) como seu novo companheiro de chapa.

Confira:

Lula no ABC, Flávio em Copacabana:

A nova mudança ocorre após a chapa passar por duas alterações em menos de um mês. A candidatura de Elaine, inclusive, já havia sido registrada e constava no DivulgaCand, sistema de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral, quando ela anunciou sua desistência. A major comunicou a decisão em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, afirmando que deixava a disputa por motivos pessoais e que retornaria às atividades na Polícia Militar do Rio. No vídeo, não citou Garotinho nem fez referência direta à campanha.

Agora, com a escolha de André Monteiro, Garotinho passa a ter como vice um ex-integrante do Bope, reforçando o discurso de segurança pública de sua campanha. Na convenção, disse que sua primeira missão, caso eleito, seria "libertar o Rio de Janeiro" do tráfico, das milícias e da própria Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Após o evento, defendeu ainda a criação de um "Bope 2.0", que manteria policiais nas comunidades pelo tempo necessário para retirar as facções dos territórios, em vez de realizar operações pontuais.

A segunda saída

A saída da major Elaine Gonçalves (Democrata) da chapa de Garotinho ocorreu após a informação de que a policial é sócia de Fábio Picanço, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin), sociedade de economia mista da administração indireta estadual, criada para ajudar a atrair novas empresas para o Rio. Os dois são sócios da Cromus Segurança e Vigilância Patrimonial Ltda., aberta em novembro de 2019 e com sede em Paracambi, na Baixada Fluminense.

Sem apresentar provas, o próprio ex-governador levantou, na CPI do Crime Organizado do Senado, em 2025, suspeitas sobre um esquema de corrupção envolvendo incentivos fiscais no estado. Garotinho citou Picanço, então presidente da Codin, e apontou a suposta participação da companhia, da Secretaria de Fazenda e da AgeRio. A reportagem procurou a equipe de Fábio Picanço e a Codin e aguarda resposta.

Em nota, a equipe da major afirmou que a Cromus "nunca recebeu qualquer incentivo fiscal, participou de licitações ou prestou serviços ao poder público" e que atividades particulares de seus sócios não têm relação com a empresa nem geraram benefícios ou favorecimentos.

Nas redes sociais, Elaine explicou as razões de sua saída, sem citar Garotinho: "Depois de refletir com serenidade sobre esse novo caminho, tomei uma decisão de caráter pessoal. Não continuarei a minha participação nessa candidatura. Foi uma decisão minha, tomada com consciência e responsabilidade (...) Sigo tranquila, de cabeça erguida e sem arrependimentos".

Primeiro vice caiu após apoio do DC a Paes

Quando o Republicanos confirmou Garotinho como candidato ao governo do Rio, em 25 de julho, o vice anunciado era o coronel da reserva Venâncio Moura, do Democracia Cristã (DC). Os dois chegaram a subir de mãos dadas ao palco durante a convenção, na Tijuca, Zona Norte do Rio.

A composição, porém, durou poucos dias. Três dias depois, o DC anunciou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD), deixando Garotinho sem o vice. Moura, ex-comandante do Bope, reagiu nas redes sociais, dizendo ter sido traído pela legenda e afirmando que seguiria "até o fim" ao lado de Garotinho. Ele também qualificou a condução do processo como um "teatro" e acusou dirigentes do partido de contar "mentiras descaradas" sobre a aliança.