Poder e Governo

Nunes Marques defende urnas a representantes de embaixadas e diz que Brasil é referência em transparência e legitimidade da eleição

Reunião foi marcada após Tribunal ser procurado por representação diplomática dos Estados Unidos

Agência O Globo - 17/08/2026
Nunes Marques defende urnas a representantes de embaixadas e diz que Brasil é referência em transparência e legitimidade da eleição
Nunes Marques - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Nunes Marques , defendeu as urnas eletrônicas para embaixadores e diplomatas durante reunião convocada para esta segunda-feira. O magistrado afirmou que o país é referência em transparência e legitimidade no pleito.

O ministro, que comandou o TSE durante as eleições, reiterou o discurso em defesa do sistema de votação brasileiro.

— O Brasil tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial na realização de eleições. A vanguarda entre as democracias representativas contemporâneas é resultado da construção contínua e paulatina de um processo eleitoral eficiente, ancorado em normativos modernos e sistemas tecnológicos capazes de garantir a transparência, a segurança e a substituição das eleições, girando, sobretudo, a plena expressão da vontade das cidadãs e cidadãos — disse na abertura do evento.

O posicionamento vem sendo reiterado por Nunes Marques após o ciclo de debates em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , candidato à Presidência, citou dados falsos sobre as urnas eletrônicas, gerando ocorrências do TSE. Quando a reunião marcada para esta segunda foi convocada, a Corte Eleitoral destacou que a urna eletrônica é um "patrimônio do povo brasileiro".

— Técnicos deste tribunal apresentando alguns dos sistemas tecnológicos desenvolvidos pela Justiça Eleitoral, que garantem de forma séria, segura e transparente a legitimidade das eleições, a integridade do voto e a própria vitalidade do regime democrático brasileiro — declarou Nunes Marques aos representantes de embaixadas.

O evento foi agendado após a área internacional do Tribunal ser procurado pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de membros do governo americano. A audiência não foi marcada devido ao recesso do Judiciário. Dias antes, o Itamaraty negou vistos de dois funcionários do governo americano que viriam ao Brasil com uma justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. A avaliação interna levou em consideração que o pedido de visto ocorreu em paralelo ao questionamento de Flávio às urnas eletrônicas.

Durante a reunião encerrada nesta tarde, os técnicos do TSE também detalharam os planos de contingência para enfrentar o uso de Inteligência Artificial (IA) nesta campanha eleitoral.

— A produção de vídeos e áudios que visa manipular ou divulgar conteúdos capazes de enganar o eleitorado, distorcer o debate público ou comprometer a livre formação da vontade política é uma triste realidade desta década — afirmou o ministro.