Poder e Governo
Lula 'farmando aura': com 80 anos, petista tenta rejuvenescer imagem para atrair jovens
Preocupação é evitar impressão de fadiga política do petista, que busca quarto mandato de presidente
De olho numa faixa etária que representa mais de 30% do eleitorado, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ofensiva para atrair o voto de jovens e tentar impedir o crescimento de rivais nesse segmento. A preocupação é evitar a imagem de fadiga política do chefe do Executivo. Aos 80 anos e na vida pública desde a década de 1970, ele vai disputar o cargo pela sétima vez, em busca do quarto mandato.
Veja os números:
Declaração de bens:
Uma das frentes tenta rejuvenescer a imagem por meio de mudanças de linguagem. Lula é apresentado nas redes sociais como um homem contemporâneo, ativo fisicamente e antenado às trends que mobilizam as plataformas. Na semana passada, uma publicação em seu perfil no TikTok afirmou que ele “farma aura como ninguém”, em referência à gíria que significa reunir carisma e nasceu no mundo dos jogos eletrônicos, e o descreveu como “amigo dos millennials”, geração que hoje está na casa dos 30 aos 45 anos.
O presidente também costuma fazer o coração com os dedos, unindo as pontas do polegar com o indicador, gesto popular graças à influência do K-pop, gênero musical da Coreia do Sul, e grava vídeos em que mexe as mãos no estilo “six-seven”, que virou meme.
Informalidade
A tendência é que ele seja exposto cada vez mais a aparições informais, em corridas e malhando na academia do Palácio da Alvorada — em entrevista na última sexta-feira a um podcast popular entre a juventude, ele revelou que está tomando whey protein diariamente pela manhã. O principal jingle, uma paródia do “Rap do Silva”, busca contar a trajetória de Lula com pegada jovem.
Há, nessa estratégia, uma apreensão em “apresentar” Lula às novas gerações. A campanha tem se dedicado a recontar a trajetória do presidente especialmente para os eleitores que nasceram depois dos anos 2000, quando o petista chegou à Presidência pela primeira vez. Esse mote também será uma das linhas que vão guiar o roteiro de lançamento da campanha no Estádio da Vila Euclides, hoje, em São Bernardo do Campo (SP).
A sequência de imagens que mostra Lula liderando greves no ABC paulista tem o intuito de apresentar o petista de “barba preta” e, apesar dos anos na política, reforçar uma característica antissistema. A avaliação é de que esse tom tem apelo entre os jovens e vem sendo usado pelo candidato do Missão, Renan Santos.
Um dos temores internos da campanha é o crescimento de Renan entre os jovens. O presidenciável do Missão tem forte presença digital, e há receio do efeito Pablo Marçal, candidato de direita que, impulsionado pelo ambiente digital, quase foi ao segundo turno da disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024.
Pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira mostrou Renan com 10% das intenções de voto entre os mais jovens, de 16 a 34 anos. Nessa faixa do eleitorado, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) aparece em terceiro lugar, atrás de Lula, com 34%, e de Flávio Bolsonaro (PL), com 31%.
Para a campanha petista, o desempenho de Renan está atrelado à capacidade de capturar o sentimento de frustração, indignação e insatisfação de parcelas desse segmento.
— A juventude está em disputa, não se identifica com bolsonarismo ou lulismo. Mas a gente vê, especialmente nas jovens meninas, uma tendência mais progressista — diz a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), de 32 anos, integrante da coordenação da campanha à reeleição.
Membros do governo admitem que Lula tem poucas realizações a mostrar para esse público, especialmente para jovens de classe média. Essa ala reforça a necessidade de medidas ligadas ao ambiente digital, empreendedorismo e ao aumento de oportunidades de capacitação. A campanha identificou ainda que temas como educação, empregabilidade e custo de vida preocupam essa faixa etária. Lula deve passar a incluí-los em seu discurso com mais frequência.
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