Poder e Governo

Arthur Lira registra candidatura ao Senado e declara patrimônio de R$ 25 milhões

Ex-presidente da Câmara deixou registro para a última hora; seu aliado, JHC, ainda não oficializou se concorrerá ao Senado ou ao governo

Agência O Globo - 15/08/2026
Arthur Lira registra candidatura ao Senado e declara patrimônio de R$ 25 milhões
Arthur Lira

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), confirmou neste sábado a candidatura ao Senado por Alagoas. Ele aguardava a definição do ex-prefeito JHC, que decidiu concorrer ao governo do estado.

Na declaração de bens, Lira registrou um patrimônio de R$ 25 milhões. Esse valor representa um aumento de 265% em relação a 2022, quando informou possuir R$ 7 milhões (valor corrigido pelo IPCA) à Justiça Eleitoral. Entre os novos bens, destacam-se uma propriedade rural em Quipapá (PE) avaliada em R$ 3,6 milhões e uma casa em Brasília, estimada em R$ 2,1 milhões, ambos registrados como financiados.

No momento do registro da candidatura, apenas Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata) estavam oficializados para concorrer ao governo do estado, e Alexandre Fleming (UP), Davi Davino Filho (Republicanos) e Mariedson (Democrata) para o Senado. O prazo se encerra às 19h.

Além disso, o grupo político adversário de Lira, formado por Renan Filho (MDB) e Renan Calheiros (MDB), também não aparece no portal de divulgação da Justiça Eleitoral.

De acordo com o colunista do GLOBO Lauro Jardim, JHC havia afirmado na última quinta-feira que seria candidato ao Senado em uma reunião fora da agenda. Agora, o ex-prefeito irá enfrentar a família Calheiros, apoiada por Lula, mas evita entrar em rota de colisão com seu aliado Arthur Lira.

Na avaliação de diferentes forças políticas de Alagoas, JHC poderia ter mais chances de vitória em uma disputa pelo Senado do que pelo governo. Para o Senado, o estado elegerá dois representantes em 2026, enquanto apenas um candidato será eleito governador. Contudo, ele é competitivo em ambos os cenários.

Indefinição

No ano passado, quando ainda estava filiado ao PL, o ex-prefeito se reuniu com o presidente Lula para viabilizar a indicação da sua tia, Marluce Caldas, como ministra do STJ. Relatos de pessoas envolvidas nas tratativas na época apontaram que naquele momento ele fechou um acordo com Lula para disputar uma das duas vagas ao Senado neste ano, o que tornaria Renan Filho o franco favorito para voltar a ser governador do estado.

JHC saiu do PL no final de março, após ser destituído do comando estadual do partido pelo presidente nacional, Valdemar Costa Neto. O ex-prefeito ficou insatisfeito por não ter autonomia para formar sua chapa, uma vez que o partido já havia reservado uma vaga para Lira, e passou a presidir o diretório local do PSDB, disposto a organizar seu próprio arranjo.

Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro fez um aceno a JHC, sugerindo que sua mulher, Marina Candia (PSDB), concorresse ao Senado ao lado de Lira. A sugestão de Flávio agradou a JHC e se confirmou, mas é vista por Lira como prejudicial a seus planos, pois acentua a concorrência.

Interlocutores de Lira e de Lula demonstravam, nos bastidores, irritação com o ex-prefeito, que também é pressionado pelo avanço de uma investigação da Polícia Federal sobre aportes da capital alagoana no Banco Master durante sua gestão.

Na segunda-feira, a PF deflagrou operação para apurar o que levou o instituto de previdência de Maceió a comprar R$ 97 milhões em papéis do Master, posteriormente liquidado por gestão fraudulenta. No mesmo dia, JHC se encontrou com Lula em Brasília, segundo interlocutores do presidente e do ex-prefeito.

Dois dias depois, o Senado aprovou uma mensagem presidencial enviada por Lula que autoriza a prefeitura de Maceió a contrair um empréstimo de US$ 150 milhões com o Banco dos Brics, dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff. A mensagem foi relatada por Eudócia Caldas, que associou a liberação dos recursos à implantação de um corredor BRT com 450 novos ônibus, projeto apresentado como uma das vitrines da gestão de JHC em Maceió.