Poder e Governo
Advogado acusado de agredir mulher grávida durante julgamento da trama golpista
Justiça concede medida protetiva à ex-companheira de Matheus Mayer Milanez, que nega agressão
A Justiça do Distrito Federal concedeu medida protetiva ao ex-companheira do advogado Matheus Mayer Milanez , que defendeu o general Augusto Heleno no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). O profissional ganhou notoriedade por atuar no caso e também por ter solicitado ao ministro Alexandre de Moraes o adiamento dos depoimentos dos réus, alegando que solicitou de mais tempo para o jantar. Meses depois, Milanez anunciou sua candidatura pelos Republicanos a deputado federal pelo Distrito Federal.
A ex-esposa do advogado, cujo nome não foi divulgado oficialmente, o acusa de agressões em ao menos três graças desde dezembro do ano passado. A mulher sofreu violência na décima semana de gestação (em dezembro), em 13 de junho deste ano e em 2 de agosto. No último caso, ela alega ter sido empurrada e obrigada a sair de casa, uma agressão que teria sido presenciada por uma amiga. Um denunciante manifestou à Justiça seu medo da influência de Milanez.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou que o advogado mantenha uma distância mínima de 300 metros da ex-mulher e evite qualquer tipo de contato com a vítima, sob pena de prisão preventiva.
"A informação trazida demonstra a necessidade de se conceder medidas para a proteção da ofensa", escreveu o juiz responsável na decisão.
Em nota reproduzida pelo Metrópoles , Milanez negou “qualquer prática de agressão” e afirmou que os fatos serão “devidamente esclarecidos” nos autos. Ele declarou que trataria o caso com descrição e não divulgaria detalhes sobre uma "questão familiar" por "respeito à mãe do meu filho e, principalmente, à criança que está por vir".
Advogado viralizou durante julgamento da trama golpista
Ativo nas redes sociais, Milanez se descreve como professor e afirma ter "honra de ser advogado". Ele já relatou que tem como amuleto um anel dourado herdado do pai, "lembrando diariamente que estou aqui para defender histórias, acredito naqueles que ninguém mais acredita", escreveu na legenda.
No seu pleito viral nas redes sociais durante o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista, o advogado de Augusto Heleno pediu a postergação do início da audiência das 9h para as 10h, argumentando que estava com fome por não ter tido tempo de almoçar. Em resposta, Moraes respondeu: “imagine eu” e disse que ele teria tempo para um “belo brunch” assim que os interrogatórios terminassem. Com a repercussão da fala, Milanez postou nos stories do Instagram horas depois, avisando que havia chegado em casa e se preparava para o jantar.
No segundo dia do julgamento, Matheus Milanez chamou a atenção novamente, desta vez usando uma expressão típica de Minas Gerais: "toró de parpite". A fala ocorreu quando ele comentou a reunião ministerial apresentada pela acusação como prova de que Bolsonaro e seus auxiliares pretendiam medidas para questionar o resultado das eleições de 2022 e organizar os atos golpistas de 8 de janeiro.
No início de 2025, durante uma análise da denúncia contra os réus pela Primeira Turma do STF, ele também usou a expressão “terraplanismo argumentativo” em defesa de seu cliente.
— Ainda sobre a agenda [atribuída a Heleno na denúncia], a própria Procuradoria-Geral da República cita notas variadas, ou seja, um apunhalado de ideias, mas construindo seu entendimento sobre elas. Com isso, eu registro de uma série que está passando em um grande streaming em que os cientistas querem chegar a uma conclusão e vão construindo esforços para chegar nisso. O objetivo é provar que a terra é plana, e eles fazem numerosos estudos para se provar isso. Está sendo assim no presente caso, por isso conversamos em terraplanismo argumentativo — disse na ocasião.
O argumento já havia sido usado pela defesa de Heleno na apresentação da resposta ao Supremo no início de março de 2025. Milanez disse que na denúncia, a PGR utilizou como prova uma agenda encontrada pela Polícia Federal na casa do general, onde constavam "diretrizes" sobre como "disseminar ataques ao sistema eleitoral". No material, com uma logomarca de um banco público, Heleno alertou para a necessidade de “estabelecer um discurso sobre urnas eletrônicas e votações”.
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