Poder e Governo

Presente de Janja e aliados, recomendação médica e imagem renovada: como o chapéu panamá deve virar uma das marcas de campanha de Lula

Imagem usada no registro da candidatura foi feita em 4 de agosto, mesma data em que Lula teve outras agendas no Palácio do Planalto

Agência O Globo - 12/08/2026
Presente de Janja e aliados, recomendação médica e imagem renovada: como o chapéu panamá deve virar uma das marcas de campanha de Lula
Janja - Foto: Reprodução / Instagram

A imagem do presidente não estará apenas nas urnas deste ano, mas deve ser uma das marcas da sétima campanha presidencial disputada pelo petista. De diferentes modelos e estilos, os adereços usados por Lula foram presentes recebidos de amigos, da primeira-dama, Janja da Silva, e ministros do seu governo.

O presidente passou a adotar o chapéu panamá de forma constante em eventos públicos nos últimos meses, após retirar um carcinoma basocelular (um tipo comum e de baixa gravidade de câncer de pele) em abril. Após o procedimento, ficou com um curativo e fez 15 sessões de radioterapia. Lula adotou o acessório para evitar a exposição solar no local do procedimento.

Integrantes da sua candidatura, porém, avaliam que o item passa uma imagem renovada e leve, a qual busca apoiar o atual mandatário em sua reeleição. A foto na urna com o chapéu, de acordo com esses aliados, foi um pedido do próprio presidente.

A imagem usada no registro da candidatura foi feita em 4 de agosto, mesma data em que Lula teve outras agendas no Palácio do Planalto. O presidente fez questão de posar com o chapéu panamá, quando vestia terno azul escuro, camisa branca e gravata azul clara. No retrato, ele está usando um adereço da marca Marcatto, de estilo shantung social, indicado para sol e ocasiões diurnas. O acessório é feito de um material conhecido como palha shantung, um produto sintético feito de fibra de celulose, considerado leve e macio. No site da marca, a peça é vendida a R$ 289.

A mesma peça foi utilizada por Lula em evento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, no último sábado, e na terça-feira, em reunião sobre soberania digital no Palácio do Planalto.

O uso do chapéu também faz parte do esforço da campanha para rejuvenescer a imagem de Lula, que tem 80 anos e busca seu quarto mandato presidencial. Publicada no Instagram de Lula, a imagem teve 14 milhões de visualizações até a manhã desta quarta-feira, sendo o post de campanha com o segundo maior alcance, perdendo apenas para o vídeo do Rap do Silva, jingle da corrida presidencial petista.

O adereço será uma marca de Lula ao longo da campanha. Na quinta e sexta-feira, quando deve gravar vídeos de apoio a candidatos a governos estaduais e ao Senado, o presidente também deverá usar o chapéu.

Coleção

O presidente possui uma coleção de chapéus, de cores claras e escuras, e costuma recebê-los como presente da primeira-dama, Janja da Silva, de amigos e integrantes do governo. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, presenteou Lula em dezembro de 2024, durante uma confraternização de fim de ano no Palácio da Alvorada com integrantes do primeiro escalão.

Lula já recebeu o acessório do ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato ao governo do estado, Eduardo Paes. Durante os desfiles das escolas de samba na Marques de Sapucaí, no domingo de Carnaval, Lula recebeu chapéus personalizados com seu nome das escolas Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira.

Precedente

É incomum candidatos registrarem fotos de urna com o adereço, mas a campanha levantou outros casos para eventuais questionamentos jurídicos. O próprio TSE abriu, nas eleições de 2022, um precedente para flexibilizar essa restrição. Na ocasião, o tribunal autorizou que o então candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP), conhecido como Negro Belchior, aparecesse de boné na urna por considerar que o acessório fazia parte de sua identidade étnica e sociocultural.

Esse entendimento pode servir de argumento para a campanha de Lula caso a fotografia escolhida pelo presidente seja questionada na Justiça Eleitoral. Isso não significa, porém, que a decisão tomada há quatro anos tenha liberado de forma irrestrita o uso de chapéus, bonés ou outros acessórios, já que o precedente considerou características específicas do candidato e a relação do objeto com sua identidade perante o eleitorado.