Poder e Governo

Empresária amiga de Lulinha pagou boletos para ex-chefe de gabinete de Lula

Nesta quarta-feira, Marcola decidiu deixar a coordenação da campanha do petista

Agência O Globo - 05/08/2026
Empresária amiga de Lulinha pagou boletos para ex-chefe de gabinete de Lula
Lulinha - Foto: Reprodução

Uma investigação da Polícia Federal identificou que a empresária Roberta Luschinger efetuou pagamentos de boletos para o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo as apurações, os repasses ocorreram no segundo semestre de 2024. Até o momento, a defesa de Marcola não se manifestou.

Em nota divulgada na segunda-feira, Marcola admitiu ter recebido repasses da empresária, que é investigada em um caso suspeito de fraude no INSS, a título de um empréstimo pessoal. Em uma nova nota enviada na terça-feira, ele afirmou ter pago R$ 249 mil a Roberta, sem esclarecer, no entanto, se esse valor corresponde ao total recebido.

Roberta Luschinger é considerada pela Polícia Federal como lobista e mantém amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A informação sobre o pagamento de boletos foi inicialmente revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo O GLOBO. Na quarta-feira, Marcola decidiu deixar a coordenação da campanha do petista.

O episódio envolvendo um dos principais auxiliares de Lula causou constrangimento no Palácio do Planalto e irritou integrantes da campanha em razão da conduta de Marcola. Aliados passaram a exigir que o presidente apresente a comprovação do empréstimo e esclareça todos os detalhes do ocorrido, visando evitar que o caso ganhe proporções maiores. Há uma percepção de que o tema da corrupção ainda impacta negativamente a imagem do governo Lula, sendo necessário distanciar o petista de qualquer eventual relação com a situação.

Na terça-feira, por meio de uma nota, Marcola declarou que disponibilizou seus sigilos bancário e fiscal à Justiça para comprovar que “jamais houve nada além do empréstimo pessoal” e negou qualquer irregularidade na operação, embora não tenha informado quando ocorreu o empréstimo.

Marcola já havia deixado suas funções no Planalto em julho para se juntar à equipe de coordenação da campanha de Lula à reeleição, desempenhando o mesmo papel que em 2022, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.

De acordo com pessoas próximas, Marcola optou por se dedicar à sua defesa, diante da avaliação de que o ex-chefe de gabinete estava sendo alvo de “fogo amigo”. O ex-auxiliar de Lula é um dos mais próximos colaboradores do presidente, mantendo uma forte relação ao longo da última década, com acesso ao petista em momentos privados e ciente dos hábitos dele. Ele cuidou da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015.

Marcola foi um dos coordenadores executivos da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e se mudou para Curitiba quando o presidente ficou preso na Superintendência da PF, entre 2018 e 2019.

A campanha de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições, está utilizando o episódio para desgastar a imagem do presidente, tentando vincular o escândalo do INSS ao petista e sua gestão.