Poder e Governo
Vereadora de Curitiba é acusada de xenofobia ao sugerir que colega nordestina volte ao Ceará
Fala da política do PL ocorreu durante sessão da Câmara Municipal em que os parlamentares discutiam um projeto de lei que pretende criar um cadastro para pessoas em situação de rua
A vereadora Tathiana Guzella (PL) foi acusada de xenofobia pela também vereadora Vanda de Assis (PT) durante a sessão da Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta-feira. A discussão ocorreu após a petista se pronunciar sobre um projeto de lei que visa criar um cadastro para Pessoas em Situação de Rua (PSR) e defender a atuação de seu partido na criação de programas de assistência social voltados a essa população, afirmando que a sigla da rival, o PL, não demonstraria a mesma preocupação.
"O senhor falou que 80% da população em situação de rua recebem Bolsa Família. Qual é a surpresa? O Bolsa Família é para essas pessoas em situação de vulnerabilidade. E o senhor comentou que eles votam no PT e eles têm que ser muito burros para não votar no PT. Como uma pessoa em situação de rua, vítima de pessoas racistas e higienistas, como é a direita e a extrema-direita, vai votar no seu extermínio? Tem que votar no PT mesmo, porque é quem faz programas sociais que atendem a população que mais precisa, que cuida desse povo", disse Assis em resposta a João Bettega (PL), autor do projeto.
Após a vereadora encerrar sua fala e passar a palavra para Guzella, a parlamentar do PL questionou o estado onde Assis nasceu e o porquê ela exercer um cargo político em Curitiba:
"Se a senhora gosta tanto de proteger, de elogiar o PT e os partidos ligados ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui", disse Guzella.
Em seguida, a vereadora do PL teve o microfone desligado pelo presidente da Casa, Leonidas Dias (Podemos). Em resposta, Assis acusou a colega de Casa de xenofobia:
"Essa prática de dizer 'por que a pessoa veio para cá?' é xenofobia. Xenofobia é crime, e a senhora será representada por isso. Isso não cabe, e eu não aceitarei nenhuma prática xenofóbica, nem comigo nem com ninguém que decidiu morar em Curitiba".
Nas redes sociais, a petista reiterou que irá responsabilizar a vereadora pela fala. "Quando faltam argumentos para enfrentar o debate, o preconceito não pode ocupar o lugar da política. Sou nordestina com muito orgulho. Não vou me calar diante desse ataque e não vou permitir que a xenofobia seja naturalizada, especialmente dentro da Câmara Municipal, a casa do povo. Xenofobia é crime. E adotarei todas as medidas cabíveis para responsabilizar esse ato", escreveu.
Natural de Campos Sales, no Ceará, a parlamentar reside em Curitiba há 30 anos e foi eleita vereadora em 2024 para seu primeiro mandato, com 5.006 votos. Após o fim da fala da petista, a sessão seguiu normalmente.
Procurada, Guzella ainda não se manifestou sobre o caso.
(Estagiária sob supervisão de Luã Marinatto)
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