Poder e Governo

Milei foi agressivo e criticou de forma inédita, diz Vieira

Ataques do presidente argentino levaram o governo brasileiro a rebaixar as relações com a Argentina

Agência O Globo - 05/08/2026
Milei foi agressivo e criticou de forma inédita, diz Vieira
Mauro Vieira - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o diplomata brasileiro Júlio Bitelli não retornará à embaixada do Brasil na Argentina enquanto não forem apresentadas explicações satisfatórias para os ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao país e à pessoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele apontou que a decisão foi tomada após Milei fazer quatro declarações que "agrediram de forma grosseira o governo brasileiro como um todo".

— Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente argentino, de forma muito grosseira, direta e agressiva, nunca vista, criticou o Brasil, as instituições e a pessoa do presidente Lula. Enquanto não houver explicações satisfatórias, vamos manter nosso embaixador no Brasil e a embaixada na Argentina será dirigida por um encarregado de negócios — afirmou o ministro em entrevista a uma TV argentina.

Segundo ele, os ataques reiterados foram o que motivou o governo brasileiro a rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina nesta terça-feira.

O ministro lembrou que Brasil e Argentina sempre tiveram as melhores relações desde 1985, quando houve um encontro entre o ex-presidente do Brasil José Sarney e o argentino Raúl Ricardo Alfonsín na fronteira.

— Estabeleceu-se um novo tempo, um novo tipo de relações bilaterais, de integração e de cooperação. Criamos uma relação exemplar, que lamentavelmente tentaram destruir nesse momento — destacou Vieira.

Ele afirmou que o presidente Lula não se interessa pela questão partidária na relação com outros países, mas que o diálogo precisa ser "correto e de alto nível".

— As relações do Brasil são mantidas com base em critérios e padrões de respeito às posições e de procura pelo interesse nacional por ambas as partes. A educação e o respeito são fundamentais; sem isso, não pode haver diálogo. A questão ideológica é totalmente secundária — observou o ministro.