Poder e Governo

Como ficará o tempo de TV dos candidatos ao governo do Rio

Douglas Ruas terá menos da metade do tempo de propaganda eleitoral de Eduardo Paes (PSD)

Agência O Globo - 05/08/2026
Como ficará o tempo de TV dos candidatos ao governo do Rio
Televisão

Com a confirmação da neutralidade da federação União-PP no Rio, o PL terá chapa puro-sangue, no berço do bolsonarismo. Quem assume o posto do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), que desistiu do Senado, é o deputado federal. Já a vice de Douglas Ruas na eleição para governador será a vereadora de Niterói, Fernanda Louback.

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Antes, Jordy tentou se viabilizar no PL para a vaga que foi conquistada internamente por Carlos Portinho, o outro candidato da sigla. Sem Canella, ganhou a oportunidade de entrar na disputa.

A neutralidade da federação no estado está alinhada com a posição nacional dos partidos. Sem as legendas na aliança, Ruas terá menos da metade do tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio que Eduardo Paes (PSD), o líder das pesquisas. Veja abaixo:

Projeção feita pelo GLOBO com base nas regras legais aponta que o ex-prefeito carioca tem direito a 4 minutos e 56 segundos de cada bloco de 9 minutos disponíveis, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa conta com 2 minutos e 21 segundos, considerando as alianças atuais. Além do PL, Ruas é apoiado pelo Avante, enquanto Paes agrega diversos partidos. O tempo exato de cada um ainda não foi divulgado, já que o período de registro de candidaturas está em vigor.

Negociação em Brasília

A costura para viabilizar a neutralidade foi feita em Brasília e contou com conversas entre Paes e quadros do PP, sobretudo o presidente estadual, Dr. Luizinho. Há duas semanas, o primeiro sinal do rompimento com o PL foi a desistência do então vice da chapa, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP).

Luizinho é deputado federal e sonha com a presidência da Câmara. O PL atribui os movimentos recentes dele à tentativa de se tornar o candidato do eventual novo governo Lula na disputa que ocorrerá no ano que vem. Pesa contra isso, contudo, o fato de Hugo Motta (Republicanos-PB) ainda ter direito a se reeleger.

Como o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, vinha queimado com o petismo desde que foi ministro de Jair Bolsonaro, Luizinho assumiu o protagonismo nas conversas nacionais que culminaram na decisão do partido de ficar fora da aliança de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. No PL do Rio, há insatisfação com a “falta de gestos” de Flávio em prol de uma aliança mais robusta no estado que catapultou a família Bolsonaro à política.

Reveses em série

Pouco mais de cinco meses separam o anúncio da chapa da direita para a eleição no Rio — com direito a uma foto de todos ao lado de Flávio — e a confirmação do isolamento, oficializado ontem. A imagem exibia o presidenciável, Ruas, Canella, Lisboa e o ex-governador Cláudio Castro (PL), que era então postulante ao Senado, e foi o primeiro a sair.

No fim de março, Castro renunciou ao cargo antes da cassação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou no caso Ceperj. Depois, passou por duas operações da Polícia Federal — uma sobre a Refit, outra com foco no Banco Master. Inelegível e considerado politicamente inviável pelo partido, desistiu. O partido demorou, mas confirmou, no mês passado, o nome de Carlos Portinho para substituí-lo.

O segundo a sair da chapa foi Rogério Lisboa. Próximo a Paes, ele havia embarcado no projeto mais como uma missão partidária do que por desejo pessoal. Já incerto, o cenário piorou pelo contexto de Márcio Canella, alvo da Polícia Federal em uma operação que apurou suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível. O político do União foi preso em flagrante porque havia um fuzil em seu carro, mas acabou liberado.