Poder e Governo

Sem alianças e sem vice, Novo lança Zema como candidato à Presidência

Ex-governador critica Lula e o PT, buscando se afirmar como alternativa ao bolsonarismo

Agência O Globo - 27/07/2026
Sem alianças e sem vice, Novo lança Zema como candidato à Presidência
Romeu Zema - Foto: © Sputnik / Vinicius Fernandes

O ex-governador de Minas Gerais (Novo) foi lançado nesta segunda-feira como candidato à Presidência. O evento não contou com a participação de integrantes de outros partidos e o vice-presidente da chapa ainda não foi definido. Zema tentava um acordo com o Podemos para indicar o vice, mas não houve avanço.

Agora, ele tenta negociar com o Democracia Cristã para que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa faça parte da chapa.

A convenção reuniu os principais representantes do partido Novo, como o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, o senador Eduardo Girão (CE), o deputado Marcel Van Hattem e o ex-procurador Deltan Dallagnol, pré-candidato ao Senado pelo Paraná.

O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, foi o primeiro a discursar e afirmou que o maior legado de Zema foi a vitória nas eleições de Minas Gerais em 2018, quando derrotou o então governador Fernando Pimentel (PT). Ribeiro procurou nacionalizar a disputa e declarou que Zema é o nome mais preparado da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não deixou o PT voltar. É o melhor legado que Zema talvez tenha deixado em Minas Gerais. E o que vamos buscar mostrar é que uma boa gestão enterra o PT. Nós enterramos o PT em Minas Gerais e vamos enterrar no Brasil.

Após meses concentrando esforços na construção de alianças e na aproximação com setores estratégicos, como o agronegócio, o empresariado e lideranças evangélicas, a expectativa da campanha é que a largada oficial da disputa permita ao presidenciável se tornar mais conhecido junto ao eleitorado nacional, dado que hoje ele ainda seria bastante desconhecido em comparação com adversários como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A aposta é que o horário eleitoral gratuito, os debates e o aumento da exposição do candidato ajudem a apresentar o ex-governador a eleitores que ainda conhecem pouco sua trajetória.

O ex-governador ainda não conseguiu mostrar ser competitivo na disputa, segundo as últimas pesquisas.

Na mais recente pesquisa Datafolha, Zema apareceu com apenas 3% das intenções de voto, empatado com Renan Santos, do Missão, e numericamente um ponto atrás do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, oficializado ontem como candidato do partido ao Planalto. Os três políticos da direita ficaram bem distantes dos líderes Lula (40%) e Flávio (32%) na simulação mais recente de primeiro turno do Datafolha.

Apesar das dificuldades, aliados de Zema tentam apresentá-lo como alternativa ao bolsonarismo.

Há um entendimento de que as sucessivas crises enfrentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro criaram espaço para que outras candidaturas disputem segmentos antes considerados praticamente consolidados em torno do PL.

Nesse cenário, Zema intensificou nas últimas semanas uma agenda voltada justamente a esses setores. O agronegócio passou a ocupar posição central na estratégia, com a participação em eventos do segmento e reuniões reservadas com produtores rurais e empresários. A campanha também busca ampliar a interlocução com lideranças evangélicas.

Zema tem alternado entre fazer discursos duros contra Flávio, mas, nos últimos dias, optou por evitar ataques públicos, adotando um discurso similar ao do candidato do PL na questão do tarifaço dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, por exemplo, com críticas ao presidente Lula.

Apesar disso, em maio, ele foi um dos críticos mais vocais contra Flávio. Na época, estourou a crise do filme Dark Horse e a relação do filho do ex-presidente com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

A estratégia atual do Novo é concentrar o discurso na apresentação da experiência administrativa do ex-governador em Minas Gerais e em propostas para economia, gestão pública, segurança e educação, buscando se consolidar como uma alternativa dentro do campo da direita.