Poder e Governo
Genial/Quaest: Paes lidera em todos os cenários para o governo do Rio; Garotinho e Douglas Ruas empatam
Levantamento aponta que, em eventual segundo turno, ex-prefeito da capital superaria ex-chefe do Executivo por 48% a 18% e presidente da Alerj por 52% a 16%; veja cenário da disputa à Presidência no estado
Candidato pela terceira vez ao governo do Rio, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) lidera com folga a corrida eleitoral deste ano em todos os cenários testados pela Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira. É a primeira sondagem do instituto a medir o pulso dos eleitores fluminenses desde a oficialização das candidaturas.
Segundo o levantamento, Paes marca de 38% a 42% das intenções de voto nos três cenários de pesquisa estimulada — em abril, ele tinha entre 34% e 40%. Os adversários que mais se aproximam dele são o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, Douglas Ruas (PL), que aparecem em segundo lugar, empatados com 10%. No levantamento sem Garotinho, o candidato do PL marca 11%. Veja os números:
A volta de Garotinho à disputa eleitoral foi viabilizada por uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os efeitos de sua condenação no âmbito da Operação Chequinho e afastou, provisoriamente, sua inelegibilidade. O ex-governador teve a candidatura oficializada na tarde deste sábado durante a convenção estadual do Republicanos.
Segundo a Quaest, o percentual dos entrevistados que indicaram intenção de voto nulo, em branco ou disseram que não vão votar é de 16% a 19%, a depender do cenário. Os indecisos somam entre 18% e 19%.
Na sondagem espontânea, em que o instituto pede que os entrevistados indiquem a intenção de voto sem apresentar os nomes de concorrentes antes, Paes é citado por 9%; Ruas, por 3%; e Garotinho, 1%. Neste caso, os indecisos são 84%.
Apesar da ampla liderança de Paes, mais da metade dos eleitores (55%) afirmam que ainda podem mudar o voto para o governo. Para 43% dos eleitores fluminenses, a escolha para governador já é definitiva. Em abril, os eleitores decididos eram 39%.
Segundo turno
Se ocorresse hoje, uma eventual disputa de segundo turno entre Paes e Garotinho teria 48% de intenções de voto para o ex-prefeito da capital, contra 18% do ex-chefe do Executivo fluminense. Os indecisos são 11%, e branco/nulo/não vai votar, 23%.
Paes aparece ainda mais forte num eventual embate direto com Douglas Ruas no segundo turno. O ex-prefeito da capital marca 52% ante 16% do presidente da Assembleia Legislativa. Um quinto dos eleitores (20%), neste caso, indica voto branco/nulo/não vai votar. Os indecisos são 12%.
Garotinho é candidato mais rejeitado
A pesquisa Genial/Quaest mostra, ainda, que Anthony Garotinho é o candidato ao governo do Rio mais rejeitado entre os concorrentes. Seis em cada dez entrevistados (65%) afirmaram que o conhecem e não votariam nele, contra 51% de Witzel, 40% de Eduardo Paes e 17% de Ruas.
O presidente da Alerj, aliás, é o menos conhecido entre os principais postulantes: 71% disseram não saber quem ele é. Paes, por sua vez, é o mais conhecido: apenas 12% afirmaram não saber de quem se trata. Outros 48% disseram que conhecem e votariam no ex-prefeito.
O levantamento aponta que Eduardo Paes lidera com folga em todos os segmentos do eleitorado. No cenário com todos os concorrentes, o candidato do PSD tem 37% das intenções de voto entre as mulheres e 39% entre os homens. Garotinho aparece com 10% entre eleitores e eleitoras, enquanto Ruas vai melhor, numericamente, entre os homens (12%, ante 7% das eleitoras).
Paes chega a ter 34 pontos de vantagem entre os mais jovens (42% contra 8% de Ruas e 7% de Garotinho) e também aparece 30 pontos à frente no eleitorado 60+ (41% a 11% de Garotinho e 9% de Ruas). A dianteira do candidato do PSD para os adversários também chega a 30 pontos ou beira esse patamar, numericamente, entre os eleitores com Ensino Médio ou Ensino Superior e aqueles que ganham entre 2 e 5 salários-mínimos.
No levantamento por religião, Paes tem 45% das intenções de votos dos católicos, 35 pontos a mais que o segundo mais bem colocado nesse estrato (Ruas, com 10%; Garotinho tem 8%). Entre os evangélicos, o ex-prefeito soma 31%, seguido por Garotinho (13%) e Ruas (9%).
Quase quatro em cada dez (39%) eleitores independentes, que não se associam automaticamente à direita nem à esquerda, hoje indica voto em Eduardo Paes. Nesse segmento, em que a margem de erro é de cinco pontos, Ruas soma 8% e Garotinho, 5%.
Se o ex-prefeito lidera com folga entre os eleitores alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e esquerdistas em geral, ele disputa os votos de direita com os dois principais adversários. Aparece em vantagem numérica (mas empatado tecnicamente, dada a margem de erro de seis pontos) com Ruas na direita não bolsonarista (30% a 22%).
Numericamente, o candidato do PL tem a dianteira entre os bolsonaristas (24%), contra 20% de Paes e 13% de Garotinho. O cenário, porém, é de empate técnico triplo, considerada a margem de sete pontos.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores do Rio de Janeiro entre 21 e 25 de julho. A margem de erro para a amostra geral é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob os números BR-07670/2026 E RJ-02671/2026.
O cenário eleitoral do Rio
Desde março, quando Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio, na véspera de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condená-lo por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022 e torná-lo inelegível até 2030, os grupos políticos de Paes e Ruas passaram a travar um disputa relativa ao comando da máquina administrativa estadual.
A renúncia em maio de 2025 do vice eleito, Thiago Pampolha, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), e a condenação do então presidente afastado da Alerj Rodrigo Bacellar (União) consolidaram o vácuo de poder no Rio. Para suprir a vacância de governador e vice, a Constituição exige uma eleição para mandato-tampão; enquanto isso, o Rio fica sob o comando de um governador interino.
Ruas recebeu a chancela de partidos da base de Castro para sucedê-lo e tentou assumir o quanto antes o posto de governador, que lhe daria recursos e exposição cruciais antes de ser testado nas urnas. Paes, por sua vez, passou a tentar evitar que o adversário acessasse esses trunfos, o que gerou uma batalha jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF suspendeu a linha sucessória do estado e manteve o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino até que a Corte termine de decidir qual será o formato da eleição-tampão. A determinação foi feita pelo ministro Cristiano Zanin, em uma ação protocolada pelo diretório estadual do PSD, partido de Paes.
Recentemente, em novo revés para a campanha de Douglas Ruas, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desistiu de ser seu vice na corrida para o governo do Rio. A saída de Lisboa foi interpretada como o primeiro passo rumo a uma provável neutralidade da federação PP-União no estado, o que isolaria o PL e favoreceria o ex-prefeito Eduardo Paes.
No entanto, diante dos impasses, o PL afirma que tem a garantia de permanência da federação na aliança. O presidente da Assembleia Legislativa foi oficializado como postulante ao Palácio Guanabara sem ter um vice definido, e há ainda uma vaga para o Senado pendente na coligação — a outra é de Carlos Portinho, do próprio PL.
Presidência: Lula e Flávio empatados
O senador Flávio Bolsonaro (PL) está numericamente à frente de Luiz Inácio Lula na Silva (PT) na disputa à Presidência no estado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro marca 32% das intenções de voto, ante 30% do atual presidente. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os candidatos estão empatados.
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) marca 3%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) chegam a 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Escritor Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) chegam a 1%. Edmilson Costa (PCB), Leonardo Avalanche (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. O número de indecisos chega a 13%, e brancos e nulos, 15%.
Já no segundo turno, o candidato do PL fica com 38%, contra 35% do petista. Em outros cenários, Lula fica com 36% numa eventual disputa contra Zema e também contra Caiado, que marcam 22%. Se o candidato for Renan Santos, o petista chega a 35%, contra 19% do nome do Missão.
Ao analisar a rejeição dos candidatos, 62% rejeitam Lula, contra 54% de Flávio. Zema é numericamente o terceiro mais rejeitado, com 32%, e Caiado tem 27%.
Segundo o levantamento, o eleitorado fluminense está dividido sobre o melhor resultado para o Brasil: 27% querem um candidato fora da política e fora da polarização; 26% querem a volta da família Bolsonaro ao poder; e outros 25% preferem a vitória de Lula e do PT. Outros 12% desejam a vitória de um candidato moderado fora da polarização.
Aprovação do governo Lula oscila
A aprovação do governo do atual presidente e pré-candidato oscilou um ponto percentual. Segundo o levantamento, Lula tem 57% de desaprovação, e 37% de aprovação. Na medição anterior, em abril, Lula tinha 56% e 38% de desaprova e aprova, respectivamente.
Ainda segundo a Genial/Quaest, 48% veem o governo negativo, 26% regular e 25%, positivo. Questionados se Lula merece mais 4 anos na presidência, 64% dizem que não, e 32%, sim.
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