Poder e Governo
Irmão de Michelle Bolsonaro rebate Eduardo e ironiza fala sobre imaturidade
Ex-deputado disse que a ex-presidente do PL Mulher 'jamais' poderia ter gravado vídeo contra Flávio
O irmão de Michelle Bolsonaro, Eduardo Torres, rebateu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que classificou como "imatura" a decisão da ex-primeira-dama de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, Torres ironizou a declaração do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente.
Confira:
Em entrevista ao portal Metrópoles na terça-feira, Eduardo afirmou que a madrasta "jamais" deveria ter tornado público o conflito e defendeu que divergências familiares sejam resolvidas internamente.
— Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade (da Michelle). (...) Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano para a manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa — disse.
A declaração provocou novo desconforto entre aliados da ex-primeira-dama e ampliou a distância em relação à campanha presidencial do enteado. Interlocutores afirmam que a fala foi recebida como mais uma ofensiva pública contra Michelle, justamente no momento em que dirigentes do PL tentam reduzir a temperatura da crise e transmitir uma imagem de unidade.
Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, a reação reforçou sua convicção de que o vídeo divulgado no mês passado foi necessário. Na avaliação desse grupo, a declaração de Eduardo confirma que os ataques à sua imagem continuam, ao mesmo tempo em que ela é cobrada reservadamente a preservar a harmonia da família e do bolsonarismo.
Entenda a crise
O vídeo publicado por Michelle há cerca de um mês, em que ela disse ter sido maltratada pelo enteado mais velho, abriu um novo flanco de desgaste para a pré-campanha presidencial do senador ao expor publicamente uma disputa interna do bolsonarismo.
A crise teve início durante as negociações em torno da candidatura do PL ao Senado no Ceará. Michelle defendia a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas e vice-presidente nacional do PL Mulher, enquanto Flávio conduziu as articulações que resultaram no apoio do partido à candidatura de Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Inconformada com o desfecho das negociações, Michelle publicou um vídeo acusando aliados de Flávio de trabalharem para retirar Priscila da disputa e questionou diretamente a condução política do enteado.
Dias depois, a ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora tenha atribuído a decisão à necessidade de dedicar mais tempo ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, e à filha Laura, aliados dos dois lados reconhecem que a crise acelerou seu afastamento do comando do segmento feminino do partido e aprofundou o racha dentro do bolsonarismo.
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