Poder e Governo

Flávio Bolsonaro resgata episódio que o tornou inelegível e diz que pai 'apenas manifestava preocupações' com sistema eleitoral

Pré-candidato do PL defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro em evento com embaixadores em Brasília

Agência O Globo - 21/07/2026
Flávio Bolsonaro resgata episódio que o tornou inelegível e diz que pai 'apenas manifestava preocupações' com sistema eleitoral
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu sua fala em um encontro reservado com embaixadores e representantes diplomáticos de diversos países, nesta terça-feira, em Brasília, relembrando o episódio que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à inelegibilidade. Diante de diplomatas, o pré-candidato ao Palácio do Planalto afirmou que o pai foi punido por realizar uma reunião semelhante em julho de 2022, quando apresentou críticas ao sistema eleitoral brasileiro.

— Essa é uma reunião bem diferente para mim porque meu pai está preso e uma das razões foi uma reunião com embaixadores de diversos países denunciando alguns pontos da nossa eleição — disse em inglês. Em seguida, corrigiu a declaração, afirmando que seu pai, na verdade, está inelegível por conta da mencionada reunião.

— Jair Bolsonaro está inelegível depois de uma reunião com embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação a seus países.

A fala faz referência ao encontro realizado por Jair Bolsonaro com embaixadores no Palácio da Alvorada, em 2022. Na ocasião, o então presidente utilizou a reunião para levantar, sem apresentar provas, suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro. Ao condená-lo à inelegibilidade por oito anos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que Bolsonaro abusou do poder político e fez uso indevido dos meios de comunicação ao mobilizar a estrutura da Presidência da República e a transmissão da TV Brasil para disseminar informações falsas sobre o processo eleitoral e desacreditar a Justiça Eleitoral perante representantes estrangeiros.

O encontro desta terça integrou o ciclo "Debatendo o Brasil", promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, e reuniu representantes diplomáticos de mais de 40 países e organismos internacionais, dentre eles Estados Unidos, China, Argentina, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Japão, Israel, Canadá, México, Paraguai e Ucrânia, além da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes.

Ao abordar o sistema eleitoral, Flávio afirmou que não questiona as urnas eletrônicas brasileiras, mas defendeu uma maior participação internacional no acompanhamento das eleições.

— Não estou questionando o sistema de votação brasileiro. Mas gostaria que todos os países mandassem a maior quantidade possível de observadores para as nossas eleições, como sempre fazem, assim como pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e sobre como o Brasil pode ter eleições mais seguras e transparentes.

Ao longo da exposição, Flávio voltou a criticar decisões do Judiciário, afirmou que Bolsonaro foi alvo de perseguição política e disse aos representantes diplomáticos que um dos maiores problemas do Brasil se resume à “insegurança jurídica”.

— Uma das razões de Bolsonaro não estar concorrendo este ano é porque ele foi vítima de uma grande farsa por parte de alguns membros do Judiciário.

Segundo o senador, Bolsonaro fez uma "transição pacífica" ao deixar a Presidência da República e viajou aos Estados Unidos pedindo que seus apoiadores se desmobilizassem. Foi logo depois de sua ida ao país norte-americano que ocorreram as manifestações de 8 de janeiro, que levaram, dentre outras pessoas, à condenação de Jair Bolsonaro.

Flávio também afirmou que o ex-presidente nomeou comandantes das Forças Armadas indicados pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, "mesmo sem nenhuma prova", acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.

Ainda segundo o parlamentar, os principais problemas apontados por empresários e autoridades estrangeiras durante suas viagens ao exterior são a insegurança jurídica e a corrupção.

— O que eu mais ouvi nos países por onde passei foi essa insegurança jurídica e também a corrupção. As instituições estão aparelhadas para proteger políticos próximos ao governo e perseguir a oposição.

Flávio afirmou que uma eventual mudança de governo tornaria o país mais atrativo para investidores estrangeiros.

— Se o Brasil trocar seu comando, se tornará um país muito atrativo para investimentos internacionais.

O pré-candidato também disse que o próximo presidente terá a oportunidade de indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeu escolher nomes que, segundo ele, "voltem a respeitar a Constituição".

— O próximo presidente vai poder indicar quatro ministros do Supremo. Se eu for presidente, vou indicar pessoas que voltem a respeitar a Constituição e entendam que segurança jurídica é um fator primordial para dar previsibilidade para todos que querem investir no Brasil.

Na parte final da apresentação, Flávio apresentou propostas para um eventual governo. Na área da segurança pública, prometeu endurecer o combate ao crime organizado e disse que o fortalecimento dessa agenda dependerá de um Congresso alinhado ao Executivo.

— Hoje já temos um Congresso majoritariamente de centro-direita. A expectativa é que tenhamos ainda mais gente de centro-direita. Então, não vejo condições de governabilidade para governos de esquerda depois de 2027.