Poder e Governo

Valdemar faz última tentativa por Tereza Cristina, mas senadora descarta ser vice de Flávio

Dirigente esteve com a ex-ministra, mas ouviu que ela seguirá concentrada na disputa pelo comando do Senado

Agência O Globo - 21/07/2026
Valdemar faz última tentativa por Tereza Cristina, mas senadora descarta ser vice de Flávio
Valdemar Costa Neto

Faltando quatro dias para a convenção nacional que oficializará a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, fez nesta terça-feira sua última tentativa de convencer a senadora Tereza Cristina (PP-MS) a integrar a chapa como candidata a vice.

Em uma reunião realizada pela manhã, em Brasília, o dirigente voltou a defender a aliada como o melhor nome para a composição, mas ouviu da ex-ministra da Agricultura que ela continuará dedicada ao projeto de disputar a Presidência do Senado em 2027 e, por isso, não pretende entrar na corrida ao Palácio do Planalto.

Ao GLOBO, Valdemar confirmou a reunião e disse que Tereza não será vice de Flávio. Procurada, a senadora não se manifestou.

A conversa ocorreu em um momento em que a campanha tenta destravar a definição da chapa presidencial. Embora a convenção esteja marcada para sábado, a tendência é que Flávio seja oficializado sem vice, já que as negociações com partidos aliados seguem indefinidas e o PL não conseguiu fechar um acordo em torno de um nome de consenso.

Tereza era tratada por Valdemar como a opção ideal para ocupar a vaga. O presidente do PL defendia que a senadora reunia características difíceis de encontrar em outro nome: trânsito entre lideranças do Centrão, forte ligação com o agronegócio, baixa rejeição e potencial para ampliar o alcance eleitoral de Flávio entre mulheres e eleitores moderados.

Essa não foi a primeira tentativa do dirigente. Desde o início das articulações para a eleição presidencial, Valdemar vinha insistindo para que a ex-ministra aceitasse discutir a composição. Em todas as conversas, porém, ouviu a mesma resposta: Tereza não pretendia abrir mão da construção de sua candidatura ao comando do Senado.

A negativa obriga o PL a concentrar as negociações em outras alternativas. A principal delas continua sendo a administradora Daniella Marques, filiada ao Republicanos neste ano. Sua indicação, entretanto, depende do avanço das conversas entre os dois partidos, que ainda enfrentam impasses na montagem dos palanques estaduais, e enfrenta resistências dentro do próprio PL. Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a economista reúne qualidades técnicas, mas não agregaria votos suficientes à chapa presidencial.

— O problema dela é que ela não tem voto, mas tem uma imagem muito boa, uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser a guerra. Depende do que eles decidirem. O que decidirem está decidido — afirmou.

Nos bastidores do PL, a avaliação é que a federação União-PP tende a declarar neutralidade e, por isso, outras opções dentro dessas legendas perderam força. Antes, eram citadas as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tercio (PP-PE).