Poder e Governo
Campanha de Flávio se reúne com Nunes Marques e pede apuração de impulsionamento de 'perfis fantasmas' nas redes sociais
PL quer identificação de responsáveis por uma suposta rede de páginas falsas de Facebook e Instagram que mirou candidatos de direita
A campanha do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre uma suposta estrutura organizada de perfis falsos utilizada para impulsionar ataques contra o parlamentar e outros políticos da direita nas redes sociais. Na tarde desta segunda-feira, o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), reuniu-se com o presidente da Corte, o ministro Kassio Nunes Marques, para defender a concessão de uma liminar que permita a identificação dos responsáveis pela operação.
Como mostrou o GLOBO, sete páginas no Facebook e no Instagram, com menos de 400 seguidores cada e sem identificação de seus responsáveis, injetaram mais de R$ 1,1 milhão em dois meses para impulsionar publicações contra Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorrerá à reeleição. A campanha ocorreu durante a revelação da ligação do parlamentar com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e enquanto as pesquisas apontavam a aproximação do pré-candidato à Presidência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto.
O mesmo modelo de páginas "fantasmas" do Instagram e Facebook também foi utilizado contra o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Três páginas injetaram R$ 487 mil em três meses para veicular publicações críticas ao chefe do Executivo catarinense, também pré-candidato à reeleição.
Nesta segunda-feira, também participaram da reunião o advogado do PL Marcelo Bessa e a advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica da pré-campanha e autora da representação protocolada na última sexta-feira.
Segundo Marinho, o objetivo do encontro foi pedir celeridade na análise do pedido, diante da rapidez com que os perfis investigados seriam criados e desativados.
— O que viemos fazer hoje foi justamente conversar com o presidente para verificar se, nesse recesso, seja concedida uma medida liminar para que a investigação aconteça e nós possamos identificar quem financia e quais são os interesses por trás desse comportamento criminoso nas redes sociais — afirmou.
Marinho afirmou que a campanha pede ao TSE a preservação das provas e a identificação dos responsáveis pelos pagamentos dos impulsionamentos. Segundo ele, Nunes Marques ouviu os argumentos e informou que analisará o pedido de liminar.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri informou que o comportamento suspeito dos perfis levou a equipe jurídica a realizar um levantamento manual.
— Aquilo que em 2022 a gente chamava de milícia digital virou menor infrator perto dessa estrutura. Eu não estou falando de robô, eu não estou falando de fazenda de telefone. Estou falando de um volume importante de pessoas que conseguem CPF falso, criam contas, obtêm meios de pagamento e depois apagam os perfis para não deixar rastro.
Segundo Bucchianeri, os perfis apresentam características semelhantes, como repetição de DDDs — especialmente o código 41 —, além de pagamentos realizados em diferentes moedas, incluindo reais, dólares e pesos colombianos.
A ação foi apresentada como uma representação, e não como uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), porque os registros de candidatura ainda não foram formalizados.
A advogada afirmou que, neste momento, a campanha não atribui responsabilidade a partidos, candidatos ou pessoas específicas.
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