Poder e Governo

Convenções iniciam com indefinições sobre vices de Flávio e Zema, chapas incompletas no RJ, MG e PE e Centrão indeciso

Eventos presidenciais e estaduais nos quais partidos oficializam suas candidaturas começam hoje e vão até 5 de agosto; siglas como União Brasil, PP e Republicanos ainda não definiram apoio a Flávio ou neutralidade

Agência O Globo - 20/07/2026
Convenções iniciam com indefinições sobre vices de Flávio e Zema, chapas incompletas no RJ, MG e PE e Centrão indeciso
Flávio Bolsonaro - Foto: © telegram SputnikBrasil

Pré-candidatos à Presidência e as cargas estaduais chegam às convenções partidárias com chapas incompletas e coligações a definir tanto na esfera nacional quanto em colégios eleitorais relevantes. O calendário das convenções, nas quais os partidos oficializam suas candidaturas ao Executivo e ao Legislativo, começa nesta segunda (20) e vai até o dia 5 de agosto, conforme estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As siglas têm até 15 de agosto para registar as candidaturas.

A maior parte das convenções de presidência serão realizadas em São Paulo , com exceção do Novo, que realizará seu evento em Brasília.

Em Minas Gerais , a segunda maior eleição eleitoral do país, tanto a esquerda quanto a direita chegam aos eventos sem que os chapas estejam completamente fechados, em meio a dúvidas sobre quem vai concorrer ao governo. No Rio de Janeiro , é o bolsonarismo que enfrentou dificuldades de fechar os candidatos após uma operação da Polícia Federal (PF) prender Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) que estava consolidado para disputar o Senado com apoio da família Bolsonaro, e o vice também ainda é alvo de dúvidas. Em Pernambuco , a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda precisa bater o martelo sobre seu vice e sobre a segunda vaga ao Senado e, no Maranhão , é a chapa do petista Felipe Camarão (PT) que carece de definições.

Na esfera federal, o PL realiza no sábado (25) no Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, o evento que vai formalizar Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República. Mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega às vésperas da convenção sem vice escolhido, em meio à dificuldade de fechar apoio de siglas do Centrão, como a federação União Brasil - Progressistas , e Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) são alguns dos nomes de maior força neste momento.

Entretanto, a escolha da vice passa por acertos partidários e, hoje, tanto os Republicanos (que só realizam a convenção no dia 4 de agosto) quanto a União-PP (cujo evento será em agosto, ainda sem dados) não fecharam se vão integrar a coligação de Flávio e avaliaram ficar neutros na disputa nacional. Marcos Pereira , presidente nacional dos Republicanos, afirmou que “ainda tem muita água para rolar” e adia uma definição. Já o Solidariedade tende a ficar neutro, e não apoiar nem Lula nem Flávio. Nas eleições estaduais, entretanto, essas siglas do Centrão adotarão postura distinta: em alguns estados estarão junto aos candidatos de esquerda e, em outros, serão compostos por coligações da direita.

No domingo (26), o PSD lança Ronaldo Caiado ao Planalto. A sigla já chega ao evento com mais definições e com a chapa fechada: o presidente do partido, Gilberto Kassab , será o vice. Apesar de ter candidato próprio na esfera federal, nossos estados o partido vai respeitar alianças locais já pré-estabelecidas, como é o caso de São Paulo, em que o PSD fará parte da coligação de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que por sua vez apoia Flávio, e não Caiado, para a presidência. O evento do PSD será realizado em São Paulo — no mesmo dia, será feito a convenção local, que fechará o apoio a Tarcísio.

Em 27 de julho, Romeu Zema será oficializado candidato ao Planalto pelo Partido Novo na convenção que será realizada em Brasília. O partido também precisa definir um vice. O ex-governador de Minas Gerais ainda tenta angariar apoio de outras siglas, como o Podemos . Entretanto, a definição sobre o nome do vice não deve sair no dia 27.

Em 1º de agosto, a Missão , partido criado em 2025 pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e que vai participar de sua primeira eleição, lança Renan Santos em uma cerimônia em São Paulo. Ele terá uma chapa “puro sangue”, com Aroldo Medina (Missão) como vice.

Já o PT lançará Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição em 2 de agosto, também em São Paulo, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. O partido deve ter em sua coligação o PCdoB e o PV (que são federados ao PT), a federação Rede-PSOL e o PDT . Mas se na esfera nacional a situação é importação, em alguns estados a legenda do atual presidente enfrenta impasses.

Nos estados, chapas indefinidas

Minas Gerais chega à fase de convenções com dificuldades no tabuleiro eleitoral da esquerda à direita. O PT, que realizará sua convenção estadual em 1º de agosto, se encaminha para lançar o deputado Patrus Ananias (PT-MG) para o governo, após nem o senador Rodrigo Pacheco (PSB) nem a ex-prefeita de Contagem Marília Campos terem aceitado disputar o cargo. A chapa completa não foi fechada até o momento. Uma das vagas ao Senado deve ficar com Marília, enquanto a segunda vaga e o posto de vice seguem em aberto.

Já a direita vive em compasso de esperança pela escolha do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que ainda não sabe se vai ou não concorre a governador. Caso ele seja candidato, a tendência é que o PL esteja em sua chapa – a convenção do partido ocorrerá em 27 de julho. Hoje, o partido de Flávio Bolsonaro só tem uma definição: lançar Domingos Sávio (PL) ao Senado. Sem Cleitinho como cabeça de chapa, o PL quer lançar candidato próprio, e alguns nomes possíveis são os empresários Vittorio Medioli e Flavio Roscoe . O atual governador Mateus Simões (PSD) será formalizado como candidato à reeleição em 2 de agosto, na convenção do PSD mineiro. A sigla, entretanto, ainda precisa fechar a chapa majoritária, já que o posto de vice ainda está indefinido — o nome deve ser indicado pelo Partido Novo .

No Rio, o PL vai oficializar Douglas Ruas como candidato ao governo na convenção marcada para 24 de julho, mas o vice ainda é uma incógnita. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) foi definido como um dos pré-candidatos ao Senado na chapa, enquanto a segunda vaga é vista como pivô de impasse. Há meses, o ex-prefeito de Márcio Canella (União) foi escalado, mas após sua prisão por porte ilegal de arma há duas semanas, sua candidatura ficou ameaçada. Neste fim de semana, o movimento indica uma provável neutralidade da federação PP-União no estado, isolando o PL e apoiando o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) será oficializada como candidata à reeleição em 2 de agosto na convenção partidária, mas ainda não bateu o martelo se Priscila Krause (PSD), atual vice-governadora, permanecerá no posto. Para o Senado, o nome de Túlio Gadelha (PSD) é o mais consolidado, enquanto a segunda vaga ainda passa por acertos partidários com a União e o PP. No dia 1º, o PSB formalizou a candidatura de João Campos ao governo, numa chapa com Carlos Costa (Republicanos) como vice, e Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) ao Senado.

No Maranhão, o PT chega perto da convenção, marcada para 1º de agosto, com a missão de completar a chapa de Felipe Camarão (PT), que é pré-candidato ao governo. Ele ainda não tem vice e, para o Senado, por enquanto o único nome definido é da senadora Eliziane Gama (PT-MA), que tentará a reeleição. O PL não deve ter candidato próprio no estado e ainda pátina para conseguir um palanque local para Flávio. Outro entra no estado se concentra no Centrão . Integrantes da mesma federação, André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) se lançaram como pré-candidatos ao Senado, só que enquanto Fufuca apoia a reeleição de Eduardo Braide (PSD), Pedro endossa o nome de Orleans Brandão (MDB) ao governo maranhense.

Em São Paulo, o PT realiza sua convenção estadual no dia 25 de julho para oficializar a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. O evento será realizado em Campinas , como um aceno da sigla ao interior do estado, onde historicamente tem mais dificuldades eleitorais. A chapa de Haddad já está definida: Márcio França (PSB) será seu vice e, ao Senado, as duas candidaturas serão Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

Já os Republicanos oficializaram a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em 1º de agosto no Ginásio do Ibirapuera, na capital. Seu vice será Felício Ramuth (MDB), enquanto Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) concorrerão ao Senado na chapa do governador.

Nesta segunda (20), a federação União-PP realiza sua convenção no âmbito estadual em São Paulo para formalizar o apoio a Tarcísio, a candidatura de Derrite e o apoio a Flávio, ainda que a direção nacional das duas siglas ainda não tenha se posicionado sobre a disputa federal.