Poder e Governo

Vice deixa chapa do PL no Rio e impõe novo baque à direita; federação PP-União tende a ficar neutra na eleição

Às vésperas das convenções partidárias, Rogério Lisboa comunicou decisão a Douglas Ruas; dos quatro nomes originais da chapa, apenas o candidato ao governo permanece no jogo

Agência O Globo - 19/07/2026
Vice deixa chapa do PL no Rio e impõe novo baque à direita; federação PP-União tende a ficar neutra na eleição
Rogério Lisboa (PP) - Foto: Reprodução / Instagram

Anunciado desde fevereiro como vice na chapa do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), para o governo do Rio, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desistiu da empreitada. O movimento, foi comunicado por ele neste fim de semana ao ex-companheiro de aliança e ao presidente estadual do PL, Altineu Côrtes.

A saída de Lisboa é o primeiro passo rumo à provável neutralidade da federação PP-União no estado, o que isola o PL e favorece o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). Caberá ao presidente estadual do PP, o deputado federal Dr. Luizinho, alinhar nos próximos dias o movimento com o diretório nacional, que também costura neutralidade na eleição presidencial em vez de apoiar Flávio Bolsonaro (PL).

Procurada, a sigla disse, em nota, que a decisão de Lisboa foi de "caráter estritamente pessoal" e evitou adiantar os próximos passos:

"A decisão foi tomada de forma respeitosa, preservando a excelente relação construída entre Rogério Lisboa e Douglas Ruas. O PP-RJ ressalta que Rogério Lisboa mantém profunda admiração, respeito e amizade por Douglas Ruas, reconhecendo sua trajetória pública, sua capacidade de liderança e sua dedicação ao Estado do Rio de Janeiro", afirma o texto.

Juntos, PP e União elegeram há dois anos cerca de um terço dos prefeitos do Rio. Contam ainda com superlativo tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito. São características que tornam a federação cobiçada.

Sem ela, o PL de Ruas e Flávio ficará mais isolado no estado, enquanto Paes aglutinou MDB, PT, PDT, PSB, Solidariedade e outros partidos menores. A convenção do PL fluminense está marcada para sexta-feira, dia 24.

Rogério Lisboa é próximo a Paes e caminha para apoiá-lo se a neutralidade for oficializada. No início do ano, ele chegou a ser cotado como vice do carioca, mas, dentro da missão partidária que lhe foi imposta, migrou para a chapa do PL.

Nos primeiros meses de 2026, Paes queria exigências de apoio do PP num momento em que o partido ainda estava no governo Cláudio Castro (PL) e não podia garanti-lo. Quando o ex-prefeito do Rio divulgou a aliança com o MDB e colocou a advogada Jane Reis como vice, o PL correu para atrair a federação, e conseguiu.

Mesmo assim, o PSD nunca deixou de cobiçar figuras do PP, partido com o qual tem uma relação mais sólida do que com o União. A ideia sempre foi “dividir” a sigla. A neutralidade, portanto, é considerada uma vitória. Junto com o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), Paes se reuniu no dia 12 com Lisboa e Luizinho.

Resta um

Dos quatro nomes da aliança apresentados pela direita ao lado de Flávio em fevereiro, apenas Douglas Ruas segue de pé. Além de Lisboa, os dois pré-candidatos ao Senado também caíram, mas por motivos policiais.

Castro ficou inelegível após condenação no caso Ceperj e foi alvo de duas operações da Polícia Federal. O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), também na mira da PF, acabou preso em flagrante por estar com um fuzil de forma ilegal. Embora a saída dele da disputa não tenha sido divulgada, é difícil que continue candidato.

Os baques se somam ao fato de o PL não ter conseguido assumir o Palácio Guanabara, com Douglas Ruas, de forma interina. A ideia era turbiná-lo na cadeira antes da campanha, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve no cargo o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto.

O entendimento na Corte é de que no momento da vacância, quando Castro renunciou, o primeiro na linha sucessória era Couto — Ruas só foi eleito presidente da Alerj depois. Por isso, caberia ao desembargador continuar à frente do Executivo.