Poder e Governo
Quem será o vice de Flávio? Para onde vão PP e União? As principais perguntas às vésperas das convenções partidárias
Período começa amanhã e vai até 5 de agosto; também há pendências em alianças estaduais
Começa amanhã e vai até 5 de agosto o prazo para a realização de convenções partidárias. É o momento em que as siglas batem o martelo e definem como se posicionar na eleição. Estabelecem, por exemplo, se vão lançar candidato próprio, a entrada em coligações ou a neutralidade em determinada disputa, seja a nacional ou uma estadual.
No Rio:
Embora mudanças possam ser feitas até 15 de agosto, data final para o registro de candidaturas, as convenções são consideradas a ocasião em que o jogo se desenha para valer. No caso deste ano, ainda há pendências significativas tanto na eleição presidencial quanto em estados de grande peso eleitoral, como Minas Gerais e Rio.
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega com aliança mais definida, com Geraldo Alckmin (PSB) mantido na vice e outros partidos de centro-esquerda na coligação, Flávio Bolsonaro (PL) ainda tem que resolver uma série de questões: não tem vice, busca atrair outros partidos para a aliança e precisa solucionar problemas em palanques estaduais.
Outro ponto relacionado à família Bolsonaro é a situação da ex-primeira-dama Michelle. Depois de expor insatisfações com o enteado Flávio, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro colocou em xeque a própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. É algo que precisará ser respondido nos próximos dias.
Na eleição presidencial, a principal pendência pode influenciar diretamente a vice de Flávio. O senador tenta atrair partidos como o Republicanos e a federação PP-União Brasil, que, no entanto, tendem a ficar neutros na disputa.
Em Minas, o senador Cleitinho (Republicanos) precisa finalmente confirmar, no limite legal, se concorrerá ou não ao governo. Também é um movimento que mexe com a vida do presidenciável do PL, que quer tê-lo no palanque no segundo maior colégio eleitoral do país.
Lula vivia situação parecida em solo mineiro, mas conseguiu, depois de ouvir o “não” de muitos pretendentes, um candidato: o petista histórico Patrus Ananias. Ainda precisa, contudo, resolver outras posições da chapa — e tentar atrair partidos como PDT e PSB.
Já o Rio, berço do bolsonarismo e onde as coisas pareciam seguir bem para o PL até o final de março, o partido passa por uma série de crises. Vê em risco, por exemplo, o apoio da federação PP-União Brasil, que seguirá a neutralidade do diretório nacional se assim for estabelecido.
Entenda a seguir alguns dos principais nós partidários que precisarão ser desatados nos próximos dias.
Quem vai ocupar o posto de vice na chapa de Flávio Bolsonaro?
Apesar de especulações, o presidenciável do PL ainda não tem clareza sobre quem estará na chapa. A tendência é que seja uma mulher, a fim de tentar apaziguar a rejeição que o filho de Jair Bolsonaro enfrenta no eleitorado feminino. A preferida do senador é a coordenadora da agenda econômica da campanha, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Como é filiada ao Republicanos, a indicação dependeria de uma aliança, o que hoje é considerado difícil. Outros nomes cotados incluem figuras do próprio PL, como Júlia Zanatta, e do PP, mas a sigla, a princípio, também não caminha para se coligar com Flávio.
Como a federação PP-União e o Republicanos vão se posicionar na eleição?
O martelo não foi batido, e a semana será decisiva para o conglomerado partidário de maior peso do país tomar a decisão. Flávio alimentou a esperança de ter a federação PP-União consigo, com direito a um vice indicado por eles, mas a possibilidade esfriou. O mais provável é que os partidos optem pela neutralidade. Trata-se, na prática, de uma vitória para Lula, que vê o principal adversário ficar isolado — o que também significa menos tempo de propaganda na TV. O mesmo vale para o Republicanos: embora tenha havido um flerte recente com Flávio e o apoio não esteja descartado, a tendência é a neutralidade.
Líder das pesquisas, o senador Cleitinho vai encarar a disputa pelo governo mineiro?
Um dos casos mais peculiares neste ciclo é o de Cleitinho (Republicanos). Líder das pesquisas em Minas, o parlamentar de perfil outsider deixa a política em compasso de espera — e enlouquecida. Ele disse que aguardaria a Copa terminar para decidir, e agora cita motivos pessoais a fim de justificar a demora. Flávio Bolsonaro tenta tê-lo como seu candidato. Caso não consiga, o PL deverá lançar um nome próprio para o palanque do presidenciável no estado que “espelha” a disputa nacional. Os nomes considerados são Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim.
Após confirmação de candidatura própria, como ficará a chapa de Lula em Minas Gerais?
Depois do “não” de vários pretendentes de centro e do próprio PT, Lula conseguiu um “sim”. O deputado Patrus Ananias ficou incumbido de concorrer ao governo de Minas em candidatura própria da sigla. Com a escolha pelo ex-ministro e ex-prefeito de BH, ficam pendentes outros espaços da chapa, que também tem a petista Marília Campos para o Senado. Um ponto a ser observado é se Lula conseguirá fazer siglas como PDT e PSB retirarem as candidaturas ao governo de Alexandre Kalil e Jarbas Soares Jr. e apoiarem Patrus. Segundo maior colégio do país, o estado é decisivo para a eleição nacional.
Depois de reveses, qual será a configuração da chapa da direita no Rio?
Com baques em série, o PL se viu mergulhado em indefinições no estado. O partido tem o presidente da Alerj, Douglas Ruas, como candidato ao governo, enquanto o senador Carlos Portinho tenta a recondução — ele substituiu na aliança o ex-governador Cláudio Castro, inelegível. O restante da chapa é, em tese, composto pela federação PP-União Brasil, mas o diretório local tende a seguir o nacional e ficar neutro, o que interessa a Eduardo Paes (PSD). O PL teria o desafio de repor a perda em cima da hora, além de planejar a campanha com estrutura menos robusta e menos tempo de TV.
Michelle Bolsonaro concorrerá ao Senado no DF?
Depois da rixa com o enteado Flávio, que representou uma crise na família Bolsonaro, a ex-primeira-dama colocou em dúvida a própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Nos últimos dias, ela sinalizou a aliados que pretende, sim, concorrer, mas não houve ainda uma confirmação pública. Outro ponto a ser observado em relação a Michelle nos próximos dias é se vai comparecer à convenção nacional do PL — marcada para 25 de julho, em São Paulo —, na qual o filho do marido será formalizado como candidato ao Palácio do Planalto.
Mais lidas
-
1RECONHECIMENTO
"Quando eu nasci, tudo isso era um só território, era Palmeira dos Índios", diz Dr. Wanderley ao receber título de Cidadão Honorário de Estrela de Alagoas
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3CVRISE FINANCEIRA
Tesouro Nacional bloqueia repasses do FPM para cinco municípios de Alagoas
-
4CORRUPÇÃO
Rio tem R$ 71,8 bilhões em contratos e recursos públicos sob investigação por corrupção
-
5SEGURANÇA PÚBLICA
Dois homens são baleados por policial de folga durante 'brincadeira' de falso assalto em SP