Poder e Governo

Girão critica apoio da direita a Ciro Gomes no Ceará: 'Cobra que vai nos picar em 2030'

Senador é pré-candidato ao governo do estado pelo Novo; aliança local causou desgastes na pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto após discordâncias da ex-primeira-dama.

Agência O Globo - 18/07/2026
Girão critica apoio da direita a Ciro Gomes no Ceará: 'Cobra que vai nos picar em 2030'
Eduardo Girão (Novo-CE) - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O senador Eduardo Girão (Novo), pré-candidato ao governo do Ceará, criticou o apoio da direita a Ciro Gomes e afirmou que ele pode ser um adversário perigoso na disputa pelo Palácio da Abolição . Segundo o parlamentar, Ciro é um representante da 'esquerda raiz' e pode traçar o campo político nas próximas eleições. As declarações foram feitas durante o Encontro Nacional do Partido Novo, neste sábado, em São Paulo.

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— Tem turma que se diz de direita, que se diz conservadora, e está apoiando alguém que vai ser uma cobra para nos picar em 2030. Todo mundo sabe no Ceará que o Ciro Gomes, que é a esquerda raiz, tem projeto de Brasil. Por isso que a eleição do Ceará é muito importante — disse Girão.

Além da declaração, o senador também pediu ‘o apoio e as orações’ dos apoiadores para fazer uma forte ‘resistência’ no Ceará. Ele é o nome apoiado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro , que esteve no lançamento de sua pré-candidatura ainda no ano passado.

Nas últimas semanas, a composição política do PL no estado voltou a ganhar repercussão nacional após Michelle publicar um vídeo em que alega ter sido 'desrespeitada' e 'maltratada' por Flávio Bolsonaro . Segundo ela, o motivo foi sua discordância em relação às articulações do enteado no Ceará para apoiar Ciro.

No mês passado, Girão já havia criticado o apoio do partido ao seu adversário:

— A verdadeira direita, com todo respeito, não pode estar nessa outra aliança. Inclusive, eu acredito que isso mostra uma incoerência muito grande — afirmou o senador, em entrevista ao Diário do Nordeste , no dia 18 de junho. — O PL deveria estar do lado de cá, vamos combinar, porque, inclusive, lá no Congresso Nacional, a gente faz o trabalho conjunto, o Novo e o PL, as votações são muito próximas. Nosso partido tem sido ferrenha, 100% oposição ao PT . Quem é oposição somos nós, não temos ninguém que foi ministro de Dilma, de Lula — completou.

Entenda

Em maio, o deputado federal André Fernandes , que preside o núcleo local do PL, justificou a decisão de apoiar Ciro. Para justificar a decisão, o parlamentar lembrou que já trocou críticas recíprocas com o tucano, mas ponderou que as diferenças 'sempre irão existir'.

A primeira manifestação pública de Michelle contra a aliança ocorreu com razão durante o lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do estado. Àquela altura, André justificou ter feito o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a composição com Ciro.

A ex-primeira-dama também apresentou um vídeo, onde menciona que sua capacidade intelectual foi considerada 'curta'. Para Fernandes, no entanto, a nova composição política significa a 'coragem de agir' em nome dos cearenses.

Michelle x Flávio

No vídeo, que aumentou o desgaste em torno da pré-campanha de Flávio, Michelle revelou que, após se posicionar contra a aliança com Ciro, Flávio a tratou com rispidez ao telefone e afirmou que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por 'não entender de política'.

— Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu cheguei ontem e não entendia nada de política — afirmou.

Na outra parte do vídeo, Michelle detalha o atrito que teve com Flávio após se posicionar contra uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. A ex-primeira-dama afirma que ficou surpresa ao ver publicações do senador em defesa da articulação e diz que ele e os irmãos, Carlos e Eduardo Bolsonaro , fizeram ataques 'de forma coordenada', sem antes procurá-la para conversar.

— Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistas. E não foi só ele. Os irmãos se juntaram, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado — afirmou.

Em dezembro do ano passado, Flávio foi o primeiro a criticar publicamente Michelle pelas discordâncias em relação à articulação liderada por Fernandes no Ceará. Na ocasião, o pré-candidato à Presidência chamou a madrasta de 'autoritária'.

Nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) disse que a aproximação com Ciro foi feita com avaliação do ex-presidente Jair Bolsonaro: 'temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças'.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) repetiu os irmãos: 'meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo; foi uma posição definida pelo meu pai'.