Poder e Governo
Moraes rejeita pedido de visita de Milei a Bolsonaro após endurecer regras da prisão domiciliar
Ministro considerou a solicitação prejudicada; na sexta-feira, ele suspendeu todas as visitas sociais ao ex-presidente pelo período de 30 dias.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou neste sábado a possibilidade de o presidente da Argentina, Javier Milei, visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a viagem que fará ao Brasil na próxima semana. Em despacho assinado nesta manhã, o ministro considerou prejudicado o pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro para autorizar visitas, por entender que a solicitação perdeu o objeto após a decisão de sexta-feira que suspendeu, por 30 dias, todas as visitas sociais ao ex-presidente.
O pedido havia sido apresentado pela defesa diante da expectativa de encontro entre Bolsonaro e Milei, que confirmou presença na convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, quando será oficializada a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Além de participar do evento, o presidente argentino afirmou que pretendia ir a Brasília para “cumprimentar” o ex-presidente.
Ao analisar a petição, Moraes afirmou que não havia mais o que decidir, uma vez que as novas restrições impostas a Bolsonaro autorizam apenas visitas de médicos, fisioterapeutas e advogados durante o período de 30 dias.
“Em virtude do item 1 de decisão proferida em 17/7/2026, julgo prejudicado o pedido, uma vez que, salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão suspensas pelo prazo de 30 dias”, escreveu.
A decisão é um desdobramento da medida tomada por Moraes na sexta-feira, quando manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro, mas endureceu as condições impostas ao ex-presidente após concluir que ele descumpriu as medidas cautelares ao produzir uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O documento foi lido pelo senador durante um ato político e divulgado nas redes sociais.
Além de suspender as visitas sociais, Moraes proibiu Bolsonaro de participar de encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026 e vetou a divulgação de manifestos políticos produzidos por ele, inclusive por intermédio de terceiros. O ministro entendeu que as novas restrições são suficientes para impedir que o ex-presidente continue interferindo na disputa eleitoral sem revogar a prisão domiciliar.
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