Poder e Governo
Sem visitas sociais ou manifestos por terceiros: as restrições de Moraes a Bolsonaro após leitura da carta
Ministro do STF também proibiu encontros com finalidade eleitoral até o fim das eleições
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro suportou as restrições impostas ao ex-presidente. Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares ao produzir uma carta de apoio à pré-candidatura presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro .
Entre as medidas, Moraes:
1. Suspender por 30 dias todas as visitas sociais ao ex-presidente, preservando apenas os atendimentos médicos, fisioterapêuticos e as visitas de advogados;
2. Proíbe visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições gerais de 2026;
3. Veda a divulgação de manifestos políticos ou eleitorais produzidos por Bolsonaro, inclusive por meio de terceiros, independentemente do meio utilizado;
4. Flávio Bolsonaro continuará proibido de visitar o pai por 90 dias.
Na decisão, o ministro do Supremo acolheu o entendimento da Procuradoria-Geral da República de que o episódio da carta não justifica o retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado, mas determinou novas restrições para impedir qualquer interferência do ex-presidente no processo eleitoral de 2026.
Na decisão, Moraes rejeita a alegação de defesa de que Bolsonaro desconhecia que a carta seria divulgada publicamente. Para o ministro, a é incompatível com o próprio conteúdo do documento, dirigido "aos brasileiros", no qual o ex-presidente apresenta Flávio Bolsonaro como sua versão "porta-voz" e conclama apoiadores a se engajarem em sua pré-candidatura presidencial.
O relator lembra ainda que, desde julho de 2025, Bolsonaro já havia sido solicitado à concessão de utilização de redes sociais, direta ou indiretamente, e que o Supremo havia esclarecido, à época, que também seria vedada a utilização de "material pré-fabricado" destinado à divulgação por terceiros. Segundo Moraes, tanto Bolsonaro quanto Flávio tinham pleno conhecimento da extensão da restrição e das consequências do seu descumprimento.
Apesar de considerar o descumprimento da medida cautelar, Moraes considera que este foi o primeiro episódio desde o início da execução definitiva da pena e concluiu que sua gravidade não justifica a revogação da prisão domiciliar humanitária. Na avaliação do ministro, a suspensão temporária das visitas e a fixação de novas restrições são avaliações proporcionais para prevenir novas tentativas de utilização da imagem de Bolsonaro durante uma campanha eleitoral.
A decisão também rebate a argumentação apresentada pela OAB e pela defesa de Flávio Bolsonaro de que a suspensão das visitas comprometeria o exercício da advocacia. Moraes afirma que Bolsonaro já recebeu 185 visitas desde o início da prisão domiciliar, incluindo 64 encontros com advogados, e que é representado por uma equipe de 30 defensores, o que, segundo ele, demonstra que o direito de defesa permanece integralmente preservado.
Na decisão, o ministro do STF afirma ainda que a situação de Bolsonaro é “incomparavelmente mais benéfica” do que a das 705.872 pessoas privadas de liberdade em unidades prisionais do país, das quais 384.586 cumprem pena em regime fechado.
Segundo o ministro, os benefícios concedidos ao ex-presidente em razão de sua condição de saúde "não podem acarretar odiosos privilégios contrários à legislação e autorizar flagrante desobediência às decisões judiciais, inclusive por seus advogados".
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