Poder e Governo
Lula amplia visitas ao Rio e busca reverter derrotas no estado
Estadia do atual governador interino passa por decisão do STF, que paralisou o processo sucessório após a renúncia de Castro.
Buscando recuperar terreno no Estado do Rio em sua campanha de reeleição neste ano, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez ontem sua quarta reunião pública ao lado do governador interino Ricardo Couto em um intervalo de dois meses. O encontro foi marcado por trocas de afagos entre eles, e Couto chegou a chorar ao fazer um agradecimento a Lula. O presidente, por sua vez, disse que “nenhum político eleito criou a expectativa” gerado pelo também presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), cuja presença desde março no Palácio Guanabara impediu o PL, partido adversário de Lula, de manter o comando da máquina estadual.
Estratégia de aproximação
A aproximação com Couto ocorre num momento em que Lula tenta ampliar sua votação no estado — estratégia que inclui a construção de um palanque com o ex-prefeito (PSD), pré-candidato a governador. O Rio foi onde Lula teve seu melhor desempenho na eleição de 2002, a primeira que venceu, mas a votação do PT no estado caiu gradativamente nos anos seguintes até a vitória de Jair Bolsonaro em 2018.
Na última eleição, mesmo com o apoio do então governador Cláudio Castro (PL) a Bolsonaro, Lula conseguiu uma manobra no Rio. Agora, com os aliados do senador e do presidente Flávio Bolsonaro (PL) fora da gestão estadual, o PT aposta em melhorar ainda mais esse desempenho, o que levou o presidente a intensificar sua presença no estado.
— Venho muito ao Rio. Conheço muito político aqui. E nunca teve um político eleito que criou a expectativa de que esse povo tenha em sua excelência — disse Lula a Couto, ontem, em visita à Fiocruz.
Pouco antes, o governador interino se emocionou ao lembrar a assinatura do Propag, programa de refinanciamento das dívidas do estado, e um dos motivos para a visita anterior de Lula ao Rio, em junho. Couto, que é desembargador, frisou não ter a “cancha política”, mas sim a “sensibilidade do julgador” e ficou com a voz embargada. Ele foi abraçado por Lula, enquanto a plateia apresentava o saudava aos gritos de “fica”.
Decisão do STF
A estadia de Couto como governador interino passou por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que paralisou o processo sucessório em março após a renúncia de Castro. O STF pautou o julgamento sobre o tema para agosto, mas pode estender a permanência do desembargador até o fim do ano.
Críticas a variantes
No fim de maio, em seu primeiro evento público ao lado de Couto, também na Fiocruz, Lula pediu ao governador interino que atuasse para “prender todos os ladrões que governaram” o estado. Todos os governadores eleitos no Rio nos últimos 30 anos foram presos ou destituídos do cargo, lista que inclui antigos aliados de Lula — casos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão — e adversários, como Castro, Wilson Witzel e Anthony Garotinho.
Na ocasião, Lula também se referiu aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) como “milícia organizada” e disse que, se a Alerj escolhesse o governador interino, “seria um miliciano”. O postulante ao cargo era o presidente da assembleia, Douglas Ruas (PL), que será adversário de Paes na eleição ao governo em outubro.
Ainda em maio, em participação no evento Rio2C, Lula disse a Paes que ele “precisa ser eleito governador do Rio” e voltou a elogiar Couto, dizendo que o desembargador está ajudando a “consertar” o estado nos últimos meses.
Já em junho, em uma maratona de cinco eventos com a presença de Couto em dois dias, Lula chegou a se referir ao interino como “interventor” e pediu que ele fizesse “em seis meses o que não foi feito em dez anos”.
Com a visita de ontem, Lula esteve pela quarta vez no Rio desde maio. É o mesmo número de visitas do presidente ao estado de São Paulo, maior coleção eleitoral do país.
No período, Lula também esteve duas vezes em Minas Gerais e visitou ainda estados onde o PT tem candidatura própria a governador — como Ceará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul — ou onde apoiará partidos aliados.
Ontem, no Rio, Paes recebeu Lula, mas não acompanhou o presidente em suas agendas. O ex-prefeito aposentado para o interior do estado, que vem sendo o foco de sua pré-campanha. Lula, por sua vez, brincou que Couto “fala que não é político”, mas com a sequência de visitas do presidente “vai falar igualzinho” a ele.
— muito grato o apoio da presidência ao estado do Rio (...). Está chegando o momento do voto, e temos que assumir a nossa responsabilidade — disse Couto.
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