Poder e Governo
Eleita pelo PSL, Soraya Thronicke afirma ter apoio de Lula para reeleição ao Senado
Parlamentar recusa convite para compor, como suplente, chapa com pré-candidato petista
A senadora Soraya Thronicke (PSB) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou apoio à sua pré-candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul. A parlamentar mantém a corrida à reeleição após recusar o convite para compor, como suplente, uma chapa encabeçada pelo deputado petista Vander Loubet. Os dois vão disputar em outubro com outros concorrentes, como Nelsinho Trad (PSD) e Reinaldo Azambuja (PL), as duas vagas à casa legislativa pelo estado.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP), a senadora disse que recebeu o convite de Loubet "com muita honra", mas que o PSB decidiu manter um projeto eleitoral próprio.
"Sigo nessa caminhada com o apoio do partido e a confiança de que estamos no caminho certo", acrescentou, fazendo acenos ao deputado petista. "Vander e eu continuaremos unidos, trabalhando pelo fortalecimento do campo democrático e pela eleição de parlamentares comprometidos com o desenvolvimento de nosso Mato Grosso do Sul e com a melhoria da vida da nossa população".
O anúncio encerra as especulações sobre uma eventual desistência da parlamentar em prol de uma aliança progressista no estado. Loubet, por sua vez, afirmou que recebeu a decisão "com muita tranquilidade" e que a respeita.
Em maio deste ano, a senadora já havia confirmado seu apoio à reeleição de Lula. Eleita em 2018 como "a senadora do Bolsonaro", na esteira da onda bolsonarista da época, a parlamentar concorreu à Presidência em 2022 pelo União Brasil. Soraya defendeu "não ter medo de mudar de lado" e, segundo ela, o motivo para estar com o petista é sua "humanidade", que a deixou de "queixo caído".
— Eu senti na pele o que é o descaso, e não tive medo de mudar de lado. Eu tenho mil motivos para dizer do lado de quem eu estou. O presidente Lula me deixou de queixo caído, mesmo. Pela humanidade, pela forma de agir — disse em discurso no Assentamento Monjolinho, divulgado em vídeo na época.
Soraya migrou em abril para o PSB, uma das siglas da base do governo Lula. Antes, foi eleita senadora em 2018 pelo PSL, mesmo partido pelo qual concorreu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois, concorreu à Presidência pelo União Brasil (legenda criada da união do PSL com o Democratas). E, em janeiro de 2023, filiou-se ao Podemos.
Após marcar 0,51% dos votos válidos em 2022, Soraya declarou que, no segundo turno entre Lula e Bolsonaro, tornou-se vista como traidora por apoiadores de Bolsonaro, devido ao seu afastamento do ex-chefe do Executivo. A senadora, no entanto, tirou fotos com apoiadores e disse que estaria ao lado dos petistas, ressaltando estar "arrependida" por ter apoiado Bolsonaro em 2018. A postura rendeu críticas de nomes como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
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