Poder e Governo

Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após anúncio de tarifaço dos EUA: 'A polarização está saindo cara para o país'

Zema também condena medida americana, mas diz que governo brasileiro falhou na condução das negociações

Agência O Globo - 16/07/2026
Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após anúncio de tarifaço dos EUA: 'A polarização está saindo cara para o país'
Ronaldo Caiado - Foto: © Valter Camargo / Agência Brasil / Acessar o banco de imagens

O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD-GO) atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parte da responsabilidade pelos desdobramentos do novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em publicações nas redes sociais nesta quinta-feira (16), o ex-governador de Goiás afirmou que o governo federal não sabia conduzir o diálogo com os americanos e criticou a postura de adversários políticos diante da crise comercial.

Mesmo à espera de encontro com Lula:

Contra manipulações digitais:

A manifestação ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, que começa a valer em 22 de julho, foi adotada após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que autoriza o governo americano a apurar práticas comerciais consideradas desleais.

Ao comentar os comentários da decisão, Caiado afirmou que o aumento das tarifas pode comprometer setores da economia nacional e criticar a polarização política.

“O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar.

Na sequência, o pré-candidato voltou a atacar o presidente da República e fez referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro, sem mencioná-lo pelo nome.

“O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização é saindo muito cara para as famílias e para o país”, lamentou.

Críticas ao pedido de adiamento

Na quarta-feira (15), antes da confirmação oficial do novo pacote tarifário, Caiado já havia publicado outra mensagem específica ao tema. Nela, criticou o pedido feito por Flávio Bolsonaro durante uma audiência pública nos Estados Unidos para que a aplicação da tarifa fosse adiada até depois das eleições brasileiras.

Na publicação, o ex-governador também afirmou que o governo federal reagiu ao tema apenas com medidas paliativas.

"A tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. A China taxa nossa carne em 55%. A UE [União Europeia] vetou a carne brasileira. Os EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão", disse.

Em outro trecho, Caiado defendeu a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às medidas anunciadas pelos Estados Unidos.

“Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar.

Zema crítica condução do governo

Em nota à imprensa, o também pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo-MG) se manifestou sobre a decisão dos Estados Unidos. O governador de Minas Gerais condenou a adoção da tarifa adicional e afirmou que a medida prejudica a economia brasileira e desrespeita a relação histórica entre os dois países.

"Eu condeno o tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos. É uma medida protecionista que prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os vínculos históricos entre os dois países. Vejo com preocupação os efeitos sobre a indústria brasileira, que perde competitividade no mercado americano, um dos mais importantes para os produtores nacionais", afirmou.

Na mesma nota, Zema responsabilizou o governo Lula pela condução das negociações, embora tenha dito que isso não justifica a decisão americana.

"O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos proibidos e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justificasse", acrescentou.