Poder e Governo

Federação PP-União deve optar pela neutralidade no Rio e isolar o PL, favorecendo Paes

Rogério Lisboa, atual vice na aliança de Douglas Ruas, se reuniu com representantes do PSD no último domingo.

Agência O Globo - 16/07/2026
Federação PP-União deve optar pela neutralidade no Rio e isolar o PL, favorecendo Paes
Eduardo Paes - Foto: Reprodução / Instagram

Principal parceira da pré-candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio até aqui, a federação composta por PP e União Brasil está costurando sua neutralidade nas eleições fluminenses, na mesma linha que pretende seguir na disputa presidencial. Esse movimento, às vésperas das convenções e do início da campanha, interessa a Eduardo Paes (PSD) e isola o PL de Ruas e do presidente Flávio Bolsonaro no estado.

Alvo da PF:

Com a neutralidade, que depende da confirmação do diretório nacional, os quadros dos partidos ficarão liberados para apoiar qualquer candidato na disputa. A expectativa é que essa decisão ocorra na próxima semana.

Juntos, PP e União elegeram, há dois anos, cerca de um terço dos prefeitos do Rio e contam com um tempo superlativo de propaganda no local eleitoral gratuito. Essas características tornam a federação altamente cobiçada.

Anunciado desde fevereiro como vice da chapa de Douglas Ruas, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), é próximo a Paes e poderá até apoiá-lo, caso a neutralidade seja oficializada, conforme afirmam interlocutores. No início do ano, Lisboa foi cogitada como vice do carioca, mas, atendendo à missão partidária que lhe foi imposta, acabou migrando para a chapa do PL.

Naquela ocasião, Paes buscava critérios de apoio do PP, num momento em que o partido ainda estava no governo Cláudio Castro (PL) e não podia garantir tal apoio. Após o ex-prefeito do Rio divulgar a aliança com o MDB e anunciar a advogada Jane Reis como vice, o PL passou a tentar atrair a federação e formou uma nova aliança.

Entretanto, o PSD sempre manteve interesse em figuras do PP, partido com o qual possui uma relação mais sólida do que com a União. A ideia sempre foi “dividir” a sigla. No último domingo, houve uma reunião presencial entre Paes e o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere , representando o PSD, e Rogério Lisboa e Dr.

Dos quatro nomes da aliança apresentados pela direita ao lado de Flávio em fevereiro, apenas Douglas Ruas ainda permanece viável se a neutralidade da federação for confirmada. Além de Lisboa, que também concorreu a deputado estadual, os dois pré-candidatos ao Senado foram desqualificados por questões policiais.

Castro ficou inelegível após instruções vinculadas ao caso Ceperj e em decorrência de duas operações da Polícia Federal. O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), também sob investigação da PF, foi preso em flagrante por estar portando um fuzil ilegalmente.

Os membros do PP têm preocupação expressa com o cenário de crise que afeta a classe política do Rio, particularmente a direita, incluindo a União, a legenda de Canella e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar . Há um temor crescente de que novas operações policiais possam minar ainda mais o projeto do PL.

Quando se considera o favoritismo de Paes combinado com a neutralidade nacional do partido, o cenário se torna propício para evitar compromissos com a candidatura de Ruas no estado.

Nos primeiros meses do ano, a expectativa era de que o deputado, ao ser escolhido presidente da Alerj , se tornaria governador interino e manteria a administração do Palácio Guanabara sob o controle do PL. Contudo, a Justiça impôs uma série de reveses ao partido.

A partir do entendimento de que a linha sucessória que deveria ser válida era a registrada no momento da vacância da carga – ocorrida com a renúncia de Castro, no final de março – o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o presidente do TJ-RJ , Ricardo Couto , como governador.

(Colaborou Marcos Nunes )