Poder e Governo
Após novo tarifaço, Haddad critica apoio de Tarcísio a Trump
Governador de São Paulo ainda não fez declarações públicas sobre o tema
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), aproveitou o novo tarifaço anunciado pelo governo americano para criticar o apoio declarado pelo seu principal adversário, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Donald Trump. Ele atribuiu a medida econômica à animosidade política fomentada pelo bolsonarismo, isentando de responsabilidade o governo do presidente Lula.
— Espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que reavaliar e fazer uma autocrítica por ter sido ingênuo ao imaginar que um outro país fosse defender os nossos interesses. Foi uma ingenuidade muito grande — declarou Haddad, que cumpre agendas nesta quinta-feira (16) na região de Jales, no interior do estado.
Haddad alegou que o Brasil não está em conflito com os americanos, mas sim o governo Trump, que tem problemas conosco, e destacou o fato de o Brasil conviver há anos com déficit na balança comercial, e não o contrário.
— O Brasil precisa estar unido para dar uma resposta a essa agressão completamente gratuita ao nosso país, que tem um déficit com o governo americano há 15 anos. São mais de 400 bilhões de dólares de déficit acumulado. Por que os Estados Unidos estão atacando o Pix e a produção? O estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é São Paulo — acrescentou o petista.
Tarcísio ainda não fez declarações públicas sobre o tema. A aposta do PT é que a postura protecionista do governo Trump ajude a desgastá-lo no estado, emulando indicadores de pesquisas que pesam contra o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Num material frequentemente compartilhado nas redes de esquerda, o governador celebra a eleição do republicano ao vestir um boné do movimento Maga ('Faça a América Grande Novamente', em tradução livre).
O bolsonarismo e outros candidatos à direita, por sua vez, procuram associar o tarifaço ao governo Lula. Flávio compartilhou uma mensagem do secretário de Estado, Marco Rubio, aliado da família Bolsonaro, que responsabiliza o presidente brasileiro pelo fracasso das negociações. Marconi Perillo (PSD), ex-governador de Goiás e outro que deve concorrer a presidente este ano, declarou que Lula "não tem capacidade para dialogar", enquanto Flávio "está preocupado com a eleição, não com o Brasil".
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