Poder e Governo

Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação de Trump, enquanto Caiado critica polarização

Após tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, senador diz que Brasil estão num “avião sem piloto”, e presidente responsabiliza adversário

Agência O Globo - 16/07/2026
Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação de Trump, enquanto Caiado critica polarização
Romeu Zema - Foto: © Sputnik / Vinicius Fernandes

A confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos abriu uma nova frente de debate entre os principais nomes da corrida presidencial. Horas após o anúncio da medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou a família Bolsonaro pelo desfecho das negociações, enquanto o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) respondeu uma publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atribuindo a culpa ao governo federal.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) buscou se colocar como alternativa e afirmou que a polarização entre os dois lados tem custado caro ao país, enquanto o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) criticou a condução do governo petista nas negociações.

A decisão dos Estados Unidos prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, mas mantém uma ampla lista de questões, que inclui itens relevantes da pauta de exportações do país, como carne, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes para aeronaves. O governo americano afirmou que continua negociando com o Brasil e anunciou que poderá adotar novas medidas caso haja retaliação brasileira.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, o Palácio do Planalto repudiou a decisão do governo americano, informou que acionará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade e afirmou que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos não tem legitimidade. O governo também fez um ataque direto à família Bolsonaro, dizendo que o desfecho das investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA faz parte de um “enredo construído com a colaboração ativa da família Bolsonaro”.

"É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações fundamentadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a colaboração ativa da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", afirmou o governo.

A manifestação ocorreu após Flávio ter participado, neste mês, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação que embasou a ampliação das tarifas. No documento encaminhado ao órgão, o senador argumentou que a sobretaxa beneficiária politicamente de Lula e sugeriu que uma negociação seria retomada após as eleições brasileiras.

Na manhã desta quinta-feira, Flávio reagiu ao anúncio compartilhando uma publicação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que responsabilizou Lula pelo fracasso das negociações. Segundo Rubio, o presidente brasileiro e seu governo não negociaram “de boa fé” e colocaram “o próprio ego” acima de um acordo considerado benéfico para os brasileiros.

Na sequência, o senador reproduziu a mesma linha de argumentação nas redes sociais. Flávio afirmou que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil” , chamou o petista de “Biden brasileiro” e disse que o país está “num avião sem piloto” , atribuindo ao governo federal a responsabilidade pela tarifaço.

Quem conseguiu se diferenciar dos dois principais adversários foi Caiado. Em publicação nas redes sociais, o ex-governador de Goiás e também presidente afirmou que a polarização entre Lula e Flávio está impondo um custo elevado ao país e alertando para os impactos econômicos da medida sobre setores produtivos.

"O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização é saindo muito cara para as famílias e para o país", escreveu.

Em outra manifestação, Caiado criticou tanto o governo federal quanto Flávio Bolsonaro. O governador afirmou que o senador foi aos Estados Unidos pedir apenas o adiamento da tarifa para depois das eleições, e não seu cancelamento, e defendeu uma política de “reciprocidade de verdade” nas relações comerciais.

"Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode, quebrar desde que depois do voto", afirmou. Em seguida, acrescentou que o Brasil precisa deixar de “negociar de joelhos” .

“Eu condeno o tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos. É uma medida protecionista que prejudica os interesses do Brasil e desrespeita os vínculos históricos entre os dois países. Vejo com preocupação os efeitos sobre a indústria brasileira, que perde competitividade no mercado americano, um dos mais importantes para os produtores nacionais. O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos específicos e adotando um discurso político. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter protegido uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica”.

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também se manifestou na manhã desta quinta-feira, criticando a condução das tratativas bilaterais do governo Lula.

Em nota, o pré-candidato à Presidência condenou a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, classificou a medida como protecionista e afirmou que ela prejudica a competitividade da indústria brasileira em um de seus principais mercados. Zema afirmou que o governo brasileiro errou nas negociações ao criar “atritos interessantes” e adotar um “discurso eleitoreiro” , sustentando que uma condução “técnica e responsável” poderia ter evitado a retaliação, embora tenha ressaltado que a medida americana não se justifica.