Poder e Governo
Ex-deputado Euclydes Pettersen é indiciado por propinas de R$ 14 milhões em fraudes no INSS
Polícia Federal investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro
O ex-deputado federal Euclydes Marcos Pettersen Neto foi indiciado pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de integrar o esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório final do inquérito, entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira, indica que Pettersen está entre os 48 indiciados na investigação sobre irregularidades relacionadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Segundo a PF, Pettersen atuou continuamente como o principal "fiador político" da organização criminosa. De acordo com o relatório, ele era responsável por chancelar a indicação de procuradores e diretores corrompidos para garantir a manutenção das fraudes.
A investigação afirma que os recursos desviados dos aposentados e pensionistas eram utilizados para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos, denominados pelos investigados Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e Cícero Marcelino, empresário ligado à entidade, de "Heróis", "Notáveis" ou "Amigos".
Conforme a PF, Pettersen era o chamado "Herói E" e foi o agente político mais bem remunerado pelo esquema.
Ainda segundo o relatório, o ex-deputado recebeu ao menos R$ 14,7 milhões em propinas por meio de transferências fracionadas. Os pagamentos, segundo a investigação, foram realizados por meio de contas de passagem de lotéricos e de empresas de fachada.
A PF também afirma que Pettersen ocultou e lavou os valores recebidos por meio de investimentos na pecuária, em desmatamento químico de fazendas e na ocultação de aeronaves.
Pelos fatos apontados na investigação, o ex-deputado foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Pettersen já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada em novembro do ano passado.
O relatório da PF sustenta que a organização criminosa desviou mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas. Segundo a corporação, os valores ingressavam inicialmente nos cofres da Conafer e eram rapidamente redirecionados para empresas de fachada ligadas aos operadores financeiros. Em seguida, conforme a investigação, o dinheiro era destinado ao enriquecimento dos integrantes do grupo e ao pagamento de propina a agentes públicos e políticos que, segundo a PF, garantiam o funcionamento do esquema. As investigações sobre outros núcleos e entidades suspeitas seguem em procedimentos separados.
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