Poder e Governo
Ex-presidente do INSS recebeu propina em dinheiro vivo, Pix e cheque, aponta PF
Fraudes beneficiavam aposentados e pensionistas, com pagamentos identificados em inquérito.
A Polícia Federal afirma que o ex-presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebia propinas "recorrentes" para viabilizar as fraudes a aposentados e pensionistas. As vantagens indevidas eram pagas por meio de cheques, pix e até com entregas de dinheiro vivo, apontam os investigadores. Segundo a PF, Stefanutto recebia uma mesada que ainda aumentou significativamente, para R$ 250 mil, após assumir a presidência do INSS.
A PF mapeou os repasses a partir das conversas de integrantes da Conafer, entidade que operava os descontos ilegais. Foram identificados pagamentos para diferentes agentes públicos, alguns tratados como "heróis", "notáveis" e "amigos". Dentro eles estava Stefanutto, que tinha o codinome "Italiano" nos registros de pagamento.
Segundo a corporação, o ex-presidente do INSS tinha o "domínio do fato e determinava os pagamentos indevidos". Em uma das mensagens interceptadas, um dos integrantes da Conafer pede a um colega que faça "contato" com o procurador e lhe entregue uma "encomenda de 100".
A PF aponta que as conversas revelam uma série de encontros pessoais dos membros da Conafer com Stefanutto em São Paulo em 2022. O inquérito aponta que tais reuniões ocorriam com a presença de José Carlos Oliveira, então ministro do Trabalho, que era tratado como 'Abou yasser' nos diálogos.
O ex-presidente do INSS também recebeu repasses por meio de cheques, destaca a PF. Em um áudio encontrado pelos investigadores, enviado em janeiro de 2023, um dos operadores da propina afirma: "O italiano não dá para ser TED (transferência bancária). Eu vou levar uma folha pra ele lá de cheque. Eu quero que você me passe o valor".
O inquérito ainda identificou uma mensagem anterior, de outubro de 2022, em que um dos integrantes da Conafer diz que vai mandar "italiano" depositar o cheque de "250k". Naquele mesmo mês, o próprio Stefanutto entrou em contato com o operador das propinas, porque teria compensado um cheque antes da hora certa. Nas mensagens, o procurador pede "desculpas mil".
(em atualização)
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