Poder e Governo
Flávio critica decisão que impede se reunir com Bolsonaro e diz que Moraes quer ‘interferir nas eleições’
Ministro do STF também deu 48 horas para a defesa esclarecer se ex-presidente sabia que carta seria divulgada nas redes sociais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, criticou nesta segunda-feira a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que o impede de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias.
– É algo desproporcional, configura tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Eu só poderia voltar a falar com o presidente Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para esses 90 dias? – declarou em transmissão ao vivo nas redes sociais.
Por conta de uma carta escrita pelo ex-presidente ao senador, o ministro do STF proibiu Flávio de se reunir com o ex-presidente por 90 dias. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado por liderar uma trama golpista.
O período impede qualquer comunicação entre Flávio e o pai até o fim do primeiro turno da eleição presidencial e representa um revés para a campanha presidencial do PL, que recebia orientações de Jair Bolsonaro.
Em um movimento lido como forma de reafirmar a autoridade política de Flávio durante uma crise entre ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL leu neste sábado uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube.
Na carta, o ex-presidente afirmou que o momento é de apoio ao senador.
Além de suspender por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho.
A decisão também encaminha o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
Na avaliação de Moraes, Flávio utilizou a visita ao pai para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente.
A medida cautelar integra as condições da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro em março e mantida no início deste mês.
Para Moraes, o conteúdo da mensagem extrapola uma manifestação política e pode configurar propaganda eleitoral antecipada. Segundo o ministro, Flávio utilizou as redes sociais para promover sua pré-candidatura com expressões equivalentes a um pedido explícito de voto. Por isso, determinou o envio da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral para que o Ministério Público Eleitoral avalie a adoção das medidas cabíveis.
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