Poder e Governo

Empenho por campanha, Flávio como “porta-voz” e nenhuma menção a Michelle: veja a íntegra da carta de Bolsonaro

Divulgado dias depois da crise com Michelle Bolsonaro, manuscrito é usado pelo senador para cobrar unidade e rebater quem estaria 'boicotando' sua pré-candidatura

Agência O Globo - 11/07/2026
Empenho por campanha, Flávio como “porta-voz” e nenhuma menção a Michelle: veja a íntegra da carta de Bolsonaro
Flávio Bolsonaro - Foto: © Folhapress / Mateus Bonomi

O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, leu neste sábado uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. Veja abaixo a íntegra do texto.

Entrevista:

Sem Michelle:

Carta aos brasileiros:

Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.

Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.

Um abraço afetuoso a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.

Transmissão ao vivo

Após a leitura, Flávio deixou claro que o alvo da mensagem não é o adversário, mas o próprio bolsonarismo. Segundo ele, a carta serve para encerrar especulações e barrar movimentações paralelas à sua pré-candidatura:

— Fica-se muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua para resgatar o Brasil. O que ele está dizendo aqui é muito simples. Primeiro, obrigado a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou alternativas diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo além, em paralelo à nossa pré-campanha.

O senador também tratou uma carta como um ultimato aos aliados hesitantes:

— Chegou a hora agora de todo mundo cair dentro, todo mundo vestir a camisa.

Durante mandato:

O gesto ocorre em meio às articulações da campanha presidencial de Flávio e reforça a participação do ex-presidente, que segue como principal cabo eleitoral do PL para a disputa de 2026. A leitura da carta também acontece poucos dias depois de o tentar senador reduzir o desgaste provocado pela crise pública com a ex-primeira-dama.

Na quinta-feira, a declaração foi dada após a ex-primeira-dama declarar divergências públicas com o senador, afirmando ter sido desrespeitada durante a discussão sobre as políticas do partido.

O episódio levou o presidente nacional do PL a defender uma reconciliação entre os dois antes da convenção nacional da legenda, marcada para o próximo dia 25. Segundo ele, o partido precisa chegar unido ao início da campanha.

Ofensiva contra

Flávio também dedicou parte do tempo a responsabilizar o presidente Lula pelas tarifas impostas por parceiros comerciais ao Brasil, apelidando o PT de "partido das tarifas".

— Chegou a hora da gente encarar de frente o partido das tarifas, que é o Lula, que é o PT. E não tem jeito: ou a gente ganha, ou o Brasil acaba — afirmou.

O senador voltou a comentar que a decisão foi política, mas o governo Lula teria contribuído para o cenário ao não direcionar melhorias a política externa e comercial.

—É uma culpa do Lula. Eu sei que a culpa é dele, mas ele não pode botar em quem ele quiser. A culpa é dele, ele que abrace esse problema. Eu fui lá tentar usar a força política para evitar que essa tarifa por parte do governo americano acontecesse. Não sei se vou ter sucesso, mas fico com a consciência tranquila sabendo que eu fiz a minha parte.