Poder e Governo

Presidente do TRE-RJ cobra partidos para que não registrem candidatos ligados ao tráfico ou milícia: 'Não vai passar'

Tavares disse que o tema é uma prioridade do TRE-RJ e afirmou que o Rio de Janeiro vive uma situação 'caótica' do ponto de vista da segurança pública

Agência O Globo - 10/07/2026
Presidente do TRE-RJ cobra partidos para que não registrem candidatos ligados ao tráfico ou milícia: 'Não vai passar'
Claudio de Mello Tavares - Foto: Brunno Dantas/TJ-RJ

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), o desembargador Claudio de Mello Tavares, cobrou os partidos políticos a atuarem como um filtro, evitando registrar candidatos com ligações com o crime organizado. A declaração foi feita em uma reunião com diretórios regionais de partidos políticos nesta sexta-feira.

Leia mais:

Política:

Claudio Tavares propôs "um pacto de colaboração mútua" entre a Justiça Eleitoral e as siglas, para que o combate às irregularidades seja também preventivo. Ele reforçou que a Corte irá tratar com rigor a análise de possíveis vinculações entre candidatos e grupos criminosos.

— Este tribunal reafirma que analisará com rigor todos os pedidos de registro de candidaturas, sobretudo de candidatos que tenham ligação com crime organizado ou com as milícias — disse o desembargador, acrescentando que os partidos são a "primeira linha de defesa da legitimidade do processo eleitoral". — Cabendo aos senhores depurar e avaliar com cautela os nomes submetidos às comissões partidárias que se avizinham.

O desembargador afirmou ainda que a verificação das vinculações criminosas dos candidatos deve ser feita antes mesmo da homologação das candidaturas nas convenções partidárias.

— Se passar pelos senhores, certamente não vai passar por aqui não. Nós estamos fazendo um trabalho de inteligência, e a sociedade não aguenta mais tanta insegurança. É inadmissível que um candidato ligado ao tráfico ou milícia possa ocupar uma cadeira de deputado estadual, deputado federal, seja no legislativo ou no executivo.

O tom da fala foi reiterado por outros desembargadores do TRE-RJ presentes na reunião. O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, também reforçou a declaração de Tavares:

— Nós temos aqui uma comunhão de interesses. É inconcebível que nós tenhamos candidatos ligados ao crime, de qualquer forma, de qualquer maneira. Pensem bem na responsabilidade que os senhores têm como presidentes dos partidos em realizar esse filtro.

Antes do início da reunião, Tavares destacou que o tema é uma prioridade do TRE-RJ, afirmando que o Rio de Janeiro vive uma situação "caótica" do ponto de vista da segurança pública. Ele explicou que o primeiro exame sobre indícios de relações entre candidatos e o crime organizado cabe ao procurador regional eleitoral, que irá receber relatórios de inteligência da Polícia Civil, Militar, Federal e de órgãos de inteligência do estado. Caso identifique motivos para impugnar a candidatura, levará a questão à Corte.

Tavares também afirmou que mantém interlocução com o TSE e que o atual presidente do tribunal superior, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, compreende que o estado precisa "ser analisado de uma forma diferenciada". Mapeamentos da situação no Rio de Janeiro estão sendo enviados para Brasília.

— Existem candidatos envolvidos com o tráfico ou a milícia, mas que já estão com a certidão limpa. Não possuem nenhuma anotação criminal... A polícia está trabalhando com inteligência, fazendo um trabalho preventivo. Trazendo elementos robustos e concretos que demonstrem a ligação do candidato à facção, ele terá sua candidatura indeferida.

Reforço na segurança

Nesta quinta-feira, o TRE-RJ aprovou o pedido do governador Ricardo Couto para que seja enviado reforço federal ao estado, com o intuito de garantir segurança durante as eleições. A solicitação será, agora, enviada ao TSE, que decidirá se concede o apoio. Segundo Tavares, o tribunal está atualmente verificando as áreas de risco, onde há presença do crime organizado, para determinar onde instalar urnas eletrônicas, alterando os locais de votação.

— As pessoas estão apavoradas. Hoje vivenciamos um nível de avanço significativo do Comando Vermelho nas comunidades. Estamos nos esforçando para encontrar locais de votação onde possamos trazer segurança para o eleitor. Há bairros onde não é tão simples assim. Precisamos de um estudo técnico para garantir a segurança do eleitor — declarou Tavares nesta sexta-feira.

Nesta quinta-feira, o TRE-RJ também anunciou a inauguração do Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi) para as eleições de 2026, com representantes das forças de segurança municipal, estadual e federal.

As instituições que integram o Gaesi já fazem parte do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral. Essa iniciativa atua em duas frentes: na primeira, substitui locais de votação em áreas de risco, visando garantir o voto livre; na segunda, compartilha dados de segurança e inteligência para barrar candidaturas vinculadas ao crime organizado.