Poder e Governo
Cleitinho revela oferta em dinheiro para desistir da candidatura ao governo de MG
Senador, líder nas pesquisas, não confirma sua candidatura nem aliança com o PL de Flávio Bolsonaro
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou ter recebido uma oferta em dinheiro para ficar de fora da disputa pelo governo de Minas Gerais em outubro. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o político não confirma nem descartou ser candidato ao Palácio Tiradentes, especialmente em um contexto de negociações com o PL de Flávio Bolsonaro no estado, que possui o segundo maior colégio eleitoral do país.
PL e Republicanos avançam
Jogo Político:
Em discurso no plenário nesta terça-feira, Cleitinho citou a pressão para que não concorra ao governo mineiro e, sem citar nomes, relatou o encontro com um político da cidade de Divinópolis que teria insistido em vê-lo pessoalmente.
— Eu estava tomando um caldo de feijão ali no São José. Ele chegou lá, buzinou para mim: 'Entra aqui no carro'. Ligou o som numa altura danada e estava assim para mim: 'Cleitinho, um pessoal aí mandou te dar um recado'. Eu falei: 'Que recado?'. 'Pelo amor de Deus, Cleitinho...'. 'Por que esse som está alto desse jeito?'. 'Não, eu estou com medo de te contar uma coisa'. 'O que é?'. 'Eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desistir'. 'Você manda um recado: eu não vou desistir' — disse o senador.
Cleitinho voltou a afirmar que não tem medo de concorrer. Ele acrescentou que nunca esteve ‘à venda’ e que será candidato ‘se o Espírito Santo tocar meu coração’.
— Olha o medo que eu estou: é zero! A minha política foi feita de propósitos. Se eu cheguei até aqui agora foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, não foi partido, não foi dinheiro, não foi empresário, foi o povo que me colocou aqui — destacado.
Operações contra Castro e Canella
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No discurso em plenário, Cleitinho deixou claro que pode adiar o anúncio sobre a sua candidatura para agosto, pois o dia 5 marca o fim do prazo para as convenções. Os registros de candidatura deverão ser enviados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
— Por que eu vou anunciar agora? Quem está com 2%, 3%, 4% que lute. Olha as pesquisas como estão — disse. — Estou pensando em deixar esse povo ainda mais doido em Minas Gerais. Se o último dia da convenção for 5 de agosto, falarei assim: '5 de agosto eu decido'. Para deixar esse povo mais louco. Porque eu sei que vocês não estão loucos para defender o povo, mas sim para botar a mão no bolso e encher o bolso de dinheiro, bando de canais — desabafou.
A indefinição mexe com o xadrez político em Minas Gerais. Há pouco mais de um mês, Flávio Bolsonaro (PL) defendeu Cleitinho como 'cabeça de chapa' ao governo estadual, enquanto dirigentes do PL indicavam a preferência por uma aliança com os Republicanos em torno de um nome próprio, como o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli , ou o presidente licenciado da Fiemg , Flávio Roscoe .
Nesta semana, PL e Republicanos avançaram nas negociações por uma aliança, mas o acordo ainda esbarra em impasses estaduais, como em Minas, um dos estados considerados mais estratégicos pela pré-campanha de Flávio. A apuração do GLOBO aponta que o PL deseja apoiar o senador Cleitinho, mas ainda não recebeu sinal positivo do parlamentar.
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