Poder e Governo

Aliados de Eduardo criticam campanha de Flávio e pedem mudanças no PL

Descontentamento com a comunicação e a coordenação da campanha é vocalizado por bolsonaristas como Fábio Wajngarten e Paulo Figueiredo.

Agência O Globo - 08/07/2026
Aliados de Eduardo criticam campanha de Flávio e pedem mudanças no PL
Eduardo Bolsonaro - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

As críticas públicas de aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão ganhando destaque nos bastidores do PL. Interlocutores ouvidos pelo GLOBO informam que integrantes da cúpula do partido começaram a receber reclamações sobre a condução da pré-campanha, além de sugestões de modificações na estrutura responsável pela estratégia eleitoral do senador.

Entre os alvos da insatisfação estão a comunicação e o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

Conforme relatos de pessoas próximas às conversas, nos últimos dias, membros da cúpula do PL têm sido contatados por pessoas ligadas ao bolsonarismo, que defenderam ajustes na estrutura responsável pela estratégia eleitoral de Flávio.

As cobranças tornaram-se públicas recentemente, como uma publicação nas redes sociais onde Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a campanha de Flávio "não existe", por considerar que faltam agenda, comunicação, organização e planejamento.

Na avaliação do ex-secretário, a pré-campanha ainda não conseguiu gerar a mobilização espontânea observada em disputas anteriores e, mesmo assim, seu principal adversário não obteve vantagem.

Em outra postagem, direcionada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Wajngarten disse que "time que não performa tem que mexer" e sugeriu uma ampla reformulação da estrutura da campanha.

Entre suas propostas, ele defendeu mudanças na coordenação-geral, na comunicação, no planejamento estratégico e uma maior participação de lideranças dos segmentos católico e evangélico, bem como do agronegócio, da segurança pública, da saúde, da educação e do setor produtivo.

Outro nome que passou a criticar publicamente a campanha é Paulo Figueiredo. Após a viagem de Flávio aos Estados Unidos, o influenciador comentou, em vídeo nas redes sociais, que a equipe desperdiçou a agenda internacional ao não organizar entrevistas, divulgar imagens ou realizar coletivas de imprensa.

— Ele publica um videozinho bem mais ou menos; a assessoria publica um texto claramente escrito pelo ChatGPT, não tem entrevista, não tem imagem para passar aqui hoje, não tem coletiva, a imprensa não recebeu exatamente o que ele falou. Mas, puta merda, que campanha desgraçada. Não se ajuda — disparou.

Paulo também defende mudanças na condução da campanha, afirmando que a estrutura atual não está conseguindo aproveitar politicamente as agendas do candidato e manifestou interesse em participar diretamente do processo.

Já o influenciador Kim Paim, que faz parte do círculo de aliados de Eduardo Bolsonaro, publicou nas redes sociais uma montagem ironizando Rogério Marinho ao compará-lo ao personagem Frodo, da série "O Senhor dos Anéis".

Nos bastidores, interlocutores comentam que parte da insatisfação desse grupo está centrada na forma como a campanha vem sendo conduzida, acreditando que Rogério Marinho tem uma coordenação excessivamente centralizadora, pouco receptiva à participação de pessoas de fora do núcleo encarregado da estratégia eleitoral.

Embora as críticas não sejam uma novidade, agora estão sendo abordadas de maneira mais aberta nas redes sociais, em um contexto onde integrantes da direita ainda pedem a "união" do campo conservador em torno da candidatura de Flávio. O argumento é que polêmicas como essas apenas prejudicam os planos do filho 01 de Bolsonaro, em vez de contribuir com sua candidatura.

A campanha de Flávio, por sua vez, rejeita as críticas de forma reservada. Os integrantes alegam que a ofensiva parte de pessoas insatisfeitas por não estarem integradas à estrutura da campanha. De acordo com esses interlocutores, trata-se de um movimento de aliados que buscam espaço na equipe, e não de uma articulação comandada por Eduardo Bolsonaro.

Os integrantes da campanha também negam a existência de uma crise interna, embora reconheçam que as críticas têm causado incômodo entre membros do PL, e afirmam que nenhuma mudança é necessária ou será realizada no futuro.

Por outro lado, interlocutores avaliam que uma possível reformulação da campanha enfrenta desafios devido à própria estrutura montada para a pré-campanha.

Uma parte dos responsáveis pelo marketing e pela estratégia foi escolhida por indicação de Rogério Marinho, tornando qualquer mudança uma possível perda de influência do senador sobre a condução da campanha.

Com esse cenário, membros do partido admitem dúvidas sobre até que ponto a direção da legenda consegue implementar alterações sem aprofundar a disputa interna sobre quem realmente tem a palavra final sobre os rumos da campanha.