Poder e Governo
Valdemar discorda de Flávio sobre operação na casa de Bolsonaro e diz que ordem de Moraes foi 'excesso de zelo'
Presidente do PL rejeita avaliação do senador de que ação serviu para criar uma 'cortina de fumaça' durante sua agenda nos Estados Unidos
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto , discordou nesta quarta-feira da avaliação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a operação realizada pela Polícia Federal (PF) na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para verificar se havia armas e munições em sua residência. Enquanto o filho zero um do ex-presidente afirmava que a diligência teve como objetivo criar uma ‘cortina de fumaça’ para ofuscar sua agenda nos Estados Unidos, Valdemar disse não acreditar nessa hipótese e classificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), como um ‘excesso de zelo’.
Durante uma live realizada nos Estados Unidos, Flávio afirmou que a operação foi uma tentativa de ‘dividir o noticiário’ enquanto cumpria a agenda no país em busca de apoio contra o tarifaço anunciado pelo governo americano.
Questionado sobre a declaração do senador, Valdemar rebateu a tese.
— Não, não acredito nisso. Pode ser. O Flávio foi lá para tentar fazer o melhor pelo país. Foi um excesso de zelo, de preocupação do ministro. É um direito que ele tem, e nós temos que ter paciência. Nós erramos lá atrás quando perdemos a eleição.
O presidente do PL saiu em defesa de Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente vem cumprindo todas as determinações impostas pelo Supremo. Para ele, a diligência determinada por Moraes não se justifica pelos fatos investigados.
— Bobagem, porque o Bolsonaro não fez nada errado. Nem a arma que pegaram com o funcionário dele. Ele tinha dado para o funcionário. O Bolsonaro não faz nada fora da lei. Nada. Ele cumpre todas as determinações do Supremo. Ele não sai fora da linha.
A operação foi realizada na manhã desta quarta-feira pela determinação de Moraes, após a defesa de Bolsonaro apresentar informações divergentes sobre o paradeiro de armas registradas em nome do ex-presidente. Na decisão, o ministro afirmou que as inconsistências nas informações prestadas pelos advogados tornaram necessária a busca para verificar se ainda havia armas, munições, acessórios ou documentos de registro sob posse direta ou indireta de Bolsonaro.
Agentes da Polícia Federal encontraram cerca de uma hora e meia na residência onde o ex-presidente cumpriu prisão domiciliar e deixaram o local sem apreender qualquer material.
Enquanto Valdemar evitava buscar motivação política à diligência, Flávio sustentava que a operação foi utilizada para desviar o foco de sua viagem aos Estados Unidos, para onde foi para participar de audiência sobre possíveis tarifas em produtos brasileiros. Na transmissão, o senador afirmou que a ação representava 'mais uma prova de como estamos incomodando o sistema' e acusou a Polícia Federal de tentar 'dividir o noticiário' enquanto buscava apoio internacional para o Brasil.
Ao comentar a operação da PF, Valdemar também fez um aceno a Michelle , dizendo que a família Bolsonaro 'não tem paz' e que, como consequência, a 'pessoa se descontrola', em referência à ex-primeira-dama.
Segundo o presidente do PL, Michelle ainda tem a possibilidade de rever seu posicionamento sobre não querer concorrer a uma vaga no Senado pelo DF neste ano, afirmando estar na torcida para que ela esteja nas urnas.
— Ela tem toda a chance do mundo de rever essa posição dela. O que ela tem passado com o sofrimento do marido descontrola qualquer pessoa. Hoje mesmo vocês sabem que a Polícia Federal esteve lá de novo visitando o Bolsonaro. Eles não têm paz. E a pessoa se descontrola.
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