Poder e Governo

Prisão de Canella reabre corrida por vaga ao Senado na chapa de Flávio no Rio

Felipe Curi ganha força, mas enfrenta resistência do PP; Antonio Rueda, Leniel Borel e Marcelo Crivella também aparecem nas conversas

Agência O Globo - 08/07/2026
Prisão de Canella reabre corrida por vaga ao Senado na chapa de Flávio no Rio

A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), após ser autuado em flagrante pela Polícia Federal por posse ilegal de um fuzil, reabriu a disputa pela vaga ao Senado na chapa do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio.

O nome que mais ganhou tração nas conversas é o do ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi (PP). Interlocutores do União Brasil e do PL afirmam que ele reúne hoje as melhores condições para herdar a candidatura ao Senado, sobretudo pelo perfil ligado à segurança pública e pela boa interlocução entre os partidos da aliança.

A eventual mudança, porém, enfrenta forte resistência dentro do PP. Curi é tratado pelo partido como um dos principais puxadores de votos para a Câmara dos Deputados em 2026, e sua saída da disputa proporcional obrigaria a legenda a redesenhar a estratégia para ampliar sua bancada federal.

Além de Curi, outros dois nomes que hoje trabalham para disputar uma vaga na Câmara também passaram a ser mencionados nas conversas sobre o Senado. Um deles é o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. Interlocutores da federação, porém, avaliam que uma eventual candidatura majoritária esbarra no desgaste provocado pelo caso Banco Master.

Rueda admitiu que seu escritório prestou serviços jurídicos ao banco de Daniel Vorcaro, e relatórios da Receita Federal apontam que escritórios ligados a ele receberam R$ 6,4 milhões da instituição. Na avaliação de dirigentes ouvidos pelo GLOBO, esse contexto dificulta sua escolha para uma disputa ao Senado.

Outro nome lembrado é o do vereador Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, morto em 2021 pelo então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho. A mãe da criança, Monique, foi condenada por omissão. Hoje pré-candidato a deputado federal, Leniel também passou a ser citado nas conversas sobre uma eventual candidatura ao Senado. Integrantes da federação avaliam que ele tem boa projeção pública e forte identificação com parte do eleitorado, mas ponderam que ainda precisaria ampliar sua articulação política para viabilizar uma disputa majoritária.

No PL, uma ala voltou a defender o nome do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) para ocupar a vaga. A hipótese, porém, é considerada pouco provável por interlocutores de Flávio Bolsonaro, já que exigiria desfazer o acordo firmado com a federação União Brasil-PP, responsável pela indicação da segunda vaga ao Senado na chapa da direita. Sua defesa está baseada no voto evangélico, que historicamente sempre elege um candidato no Rio.

A avaliação entre aliados do senador é que romper esse entendimento abriria uma crise política maior do que a provocada pela saída de Canella e colocaria em risco uma aliança considerada estratégica para a campanha presidencial.

Outro nome que permanece no radar é o de Rogéria Bolsonaro. Mãe de Flávio, ela continua sendo tratada por aliados como a principal opção para compor a chapa como suplente ao Senado, sem que haja, por ora, movimento para transformá-la em candidata titular.

A discussão ocorre enquanto Flávio ainda tenta concluir a definição da outra vaga ao Senado. Após a desistência de Cláudio Castro (PL), o senador adiou o anúncio do candidato do próprio partido. Hoje, segundo interlocutores da campanha, a disputa interna está concentrada entre o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com vantagem para Portinho.

A expectativa de dirigentes da federação é que a definição sobre o substituto de Canella ocorra rapidamente para evitar que uma nova indefinição prolongue a instabilidade no palanque de Flávio no Rio. A avaliação é que, depois da saída de Castro e da prisão de Canella, a direita precisa encerrar a sequência de mudanças na chapa para chegar à campanha com um desenho eleitoral consolidado no estado.