Poder e Governo

Tarcísio e aliados veem revés em pesquisa ao Senado em SP como 'normal', e esquerda vê potencial de crescimento

Segundo Datafolha, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) lideram corrida eleitoral, seguidas por Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Paulinho da Força (Solidariedade)

Agência O Globo - 08/07/2026
Tarcísio e aliados veem revés em pesquisa ao Senado em SP como 'normal', e esquerda vê potencial de crescimento
Tarcísio de Freitas - Foto: © AP Photo / Andre Penner

Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (6) reforçou o otimismo entre as candidaturas apoiadas pelo presidente Lula (PT), que, segundo o discurso na direita, acredita que o reforço do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o período de campanha eleitoral devem mudar o cenário, mesmo com uma divisão de votos do campo político.

Esse foi o primeiro levantamento realizado após a notificação das ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na disputa, com Márcio França (PSB) deslocado para o vice de Fernando Haddad (PT) no governo paulista. Eles marcaram, respectivamente, 18% e 16% das intenções de voto.

A lista prossegue com o deputado federal Ricardo Salles (Novo), 13% ; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, André do Prado (PL), 11% ; o ex-secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), com 10% ; e o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), 8% . A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Para o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, as candidaturas de Prado e Derrite vão crescer quando o horário eleitoral passar a valer:

- André e o Derrite vão na frente, as candidaturas do PT só vão estar bem até começar as eleições – afirma o dirigente do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Salles empata técnica com a dupla atualizada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O deputado migrou para o Novo sob a promessa de concorrer ao Senado e agora pretende mirar em Prado, figura próxima de Valdemar, para se consolidar nas pesquisas.

- O São Paulo não quer oportunistas de fora, nem ladrões daqui mesmo — declarou Salles ao GLOBO .

Prado não respondeu a inquéritos criminais. A associação passa pela proximidade com o chamado "Centrão", termo aplicado a partidos que sempre estão com o governo e recebe críticas pela pesquisa ao fisiologismo político.

A principal revisada do cenário para a direita, no entanto, seria o de pulverizar os votos desse campo político entre três candidatos, enquanto a chapa que apoia o presidente Lula apresenta somente dois nomes para as duas vagas em aberto. Valdemar alega que não há problema nisso, pois Salles “não vai ter o apoio de Eduardo Bolsonaro”, mas o diagnóstico é diferente entre os rivais.

A campanha de Marina pretende investir contra Salles, que foi ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro. Em uma reunião ministerial, o agora deputado defendeu “passar a boiada” na legislação ambiental enquanto o foco estava na pandemia de covid-19.

Bazileu Margarido, coordenador da pré-campanha da Rede, afirma que a candidatura deve levar ao debate eleitoral a possibilidade de "fazer de São Paulo um impulsor de toda a agenda de desenvolvimento sustentável", além de rodar o interior para ouvir as demandas regionais e participar de eventos com o presidente Lula, que teria entregas importantes no mandato.

- Os números são muito positivos, com as duas mulheres da frente ampla bem posicionadas — avalia Margarido. — Entre todos os candidatos, Marina tem o maior conhecimento da população. Importante é manter essa presença, reforçar esse recall e, principalmente, fazer uma campanha que sempre fez, com um compromisso ético muito grande, dizendo a verdade nesses tempos agudos.

Mesmo à esquerda, há o diagnóstico de que se trata de uma eleição difícil e que o resultado ainda está longe de ser definitivo.

- Estamos apenas começando o processo eleitoral. A campanha ao Senado, quando há duas vagas, é meio que uma incógnita. Se somar todos os números, parece que o eleitor ainda optou por apenas um candidato. O segundo voto será decisivo — afirmou Tebet, em entrevista ao SBT News na terça.

Já o deputado federal Maurício Neves, presidente estadual do PP, afirma que os levantamentos internos apontam para outra direção, contestando a pesquisa que coloca Derrite numericamente em quinto.

- Nas pesquisas que o partido realiza, o Derrite liderou. No próprio Datafolha, ele está empatado na liderança na pesquisa espontânea (quando os nomes não são apresentados ao eleitorado). Em outras pesquisas divulgadas na semana passada, ele também apareceu à frente. Como todos os pré-candidatos estão muito próximos, as variações ocorrem dentro da margem de erro – alegações.

Outro fator, segundo o dirigente paulista do PP, é que a campanha ainda não começou:

- O partido está mobilizado e confiante na vitória do Derrite. Temos certeza de que uma pauta de segurança e o apoio do governador Tarcísio levarão Derrite ao Senado.

Segundo o Datafolha, uma pesquisa espontânea mostra o seguinte cenário: Tebet e Derrite estão empatados com 3% das intenções de voto. Eles são seguidos por Marina e “um candidato do PT”, com 2% cada um. Salles e Prado marcaram um ponto percentual cada. Nessa rodada específica, 81% não sabem em quem vota.

No entorno de Tarcísio, o levantamento é visto como "menos importantes neste momento", nas palavras de um assessor do governador, pois a "campanha não está nas ruas" e os números do Datafolha para o Palácio dos Bandeirantes, que coloca Tarcísio com 52% dos votos válidos no primeiro turno, tende a "carregar" os dois postulantes ao Senado.

Outra questão em aberto é a permanência do deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) entre os postulantes ao Senado. Ele marca 8% dos interessados ​​de voto no levantamento, percentual que não é desprezível para o andamento das eleições.

Figura historicamente ligada ao movimento sindical, ele se mudou da direita para o ponto de ser escolhido relator do projeto de dosimetria das penas aos condenados por tentativa de golpe de estado, o que incluía Jair Bolsonaro. Dessa forma, a migração dos votos é um tanto imprevisível.

- Eu sou candidato, minha convenção é no dia 25. Até lá, em princípio, não estou pensando em desistir e nem em discutir outro nome. Estou firme na disputa e os meus votos vão migrar para mim mesmo — diz o deputado.