Poder e Governo

Governo Lula repudia participação de Flávio em audiência nos EUA: ‘Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria’

Governo diz que há um 'claro objetivo eleitoreiro' de Flávio, adversário de Lula nas eleições, ao tratar da aplicação das tarifas

Agência O Globo - 07/07/2026
Governo Lula repudia participação de Flávio em audiência nos EUA: ‘Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria’
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O governo Luiz Inácio da Silva divulgou uma nota repudiando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em audiência nos Estados Unidos nesta terça-feira para discutir as tarifas impostas pelo governo.

Flávio participou de audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que não foi transmitida, numa tentativa de conter danos à sua campanha à Presidência.

Na nota divulgada, o governo menciona que, como principal adversário do presidente nas eleições de outubro, o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”.

O governo afirma ainda que divergir de quem está no comando do país é legítimo, mas “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”. "Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.

O texto é assinado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). Nele, o governo ressalta que, entre os 34 brasileiros inscritos para falar na audiência, “só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.

Na nota, o governo acrescenta que o senador “não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil” nem utilizou sua fala na audiência para “reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”.

O governo menciona que o senador também propõe subordinar o Pix aos interesses americanos e, diferentemente dos aliados de Flávio, as autoridades brasileiras têm negociado “ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil”.

O governo ainda afirma que Flávio não esclareceu a relação dele e de seus aliados com pessoas do Banco Master.

“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.”

A atuação de Flávio junto a autoridades americanas vem sendo usada por aliados de Lula para criticar o senador, afirmando que ele atenta contra a soberania brasileira. Nas últimas semanas, governistas reforçaram o mote de “Tariflávio” para associar o senador à implementação das tarifas.

Em sua fala de cinco minutos nesta terça, Flávio disse que o “momento” eleitoral é o “pior possível” para a implementação das taxas de 25% contra os produtos brasileiros e que elas “foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro”. O senador também defendeu o Pix, mecanismo de pagamento que virou alvo do governo americano.