Poder e Governo

PSOL classifica crítica de Tabata a Boulos como ‘deselegante’

Deputada postou vídeo no qual atacou os cinco deputados mais votados na eleição passada, incluindo Boulos.

Agência O Globo - 07/07/2026
PSOL classifica crítica de Tabata a Boulos como ‘deselegante’
Deputada Tabata Amaral - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Interlocutores do ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, avaliam que a crítica feita pela deputada federal representa uma estratégia para se posicionar em um “extremo centro” do eleitorado de São Paulo, apresentando uma postura independente da esquerda. Por outro lado, apesar de envolver dois dos principais expoentes dos partidos da base do presidente Lula (PT), não acreditam em maiores consequências para o episódio, mantendo os acordos eleitorais e a campanha conjunta ao governo e Senado.

Os dois foram procurados nesta terça-feira (7) para comentar as eventuais consequências do episódio e uma possível reaproximação, mas não retornaram o contato.

Tabata publicou, ontem, um vídeo nas redes sociais criticando os cinco deputados mais votados na eleição passada. Candidata à reeleição pelo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, ela sustenta que “não é normal” ter aprovado mais projetos sozinha do que aquele grupo somado e que a população recebe “migalhas” em retorno ao voto. Além de Boulos, que contabiliza cinco matérias aprovadas, aparecem na lista os deputados bolsonaristas Nikolas Ferreira (PL-MG), Ricardo Salles (Novo-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Boulos respondeu de forma contundente, conforme a avaliação de seus correligionários, considerando a postura da deputada “deselegante”. O ministro, que integra a coordenação de campanha de Lula, publicou nas redes sociais que o vídeo de Tabata era “lamentável para alguém do campo progressista” e afirmou que teria “vergonha” de algumas de suas decisões políticas, como o voto a favor da reforma da Previdência e a autoria de um projeto de lei “que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza”, aludindo a uma proposta de Tabata que define critérios para o antissemitismo e o equipara ao crime de racismo no Brasil.

Uma pessoa próxima a Boulos, com trânsito na campanha de São Paulo, interpreta a movimentação de Tabata como uma “besteira de campanha”, que se resume à tentativa de ganhar terreno nas eleições à Câmara dos Deputados, da qual o ministro não participa. A parlamentar estaria adotando uma “lógica neoliberal” ao avaliar o mandato do psolista, limitando suas críticas à eficiência na aprovação de projetos. Essa fonte considera um erro de estratégia, por restringir seu público-alvo a “10% dos votos” mais de centro. Boulos e Tabata disputaram a prefeitura de São Paulo em 2024, mas sem entrar em conflito direto.

Outra figura com canal aberto à presidente do PSOL, Paula Coradi, afirma que a costura estadual, em que a esquerda levará às urnas uma coligação entre PT/PV/PCdoB, PSOL/Rede, PSB e PDT, liderada pelo pré-candidato ao governo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não passou diretamente por Boulos nem por Tabata. A própria distribuição das vagas, que exigiu uma intervenção do presidente Lula em Brasília, teve uma negociação sólida em São Paulo, indiferente aos desdobramentos do caso.

O mesmo foi reiterado por um dirigente do PSB, que vê o atrito como algo “pontual”. Tabata é uma das principais entusiastas da candidatura de Simone Tebet (PSB) ao Senado e participou ativamente das negociações para a troca de domicílio eleitoral, do Mato Grosso do Sul para São Paulo. O PSOL, por sua vez, faz campanha por Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, ao Senado. O empenho dos aliados será testado nas convenções partidárias, quando um evento conjunto oficializará a chapa de Haddad e do vice, Márcio França.