Poder e Governo
Operação da PF amplia crise no palanque de Flávio no Rio, e PL avalia nova substituição
Aliados do senador esperam que a federação União Brasil-PP troque o nome de Márcio Canella
A operação da Polícia Federal que teve como um dos alvos o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) provocou um novo abalo na montagem do palácio do senador e presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio. Apontado pela federação União Brasil-PP como candidato ao Senado com o aval de Flávio, Canella tornou-se o segundo nome da chapa atingido por uma investigação da PF em menos de dois meses. Nos bastidores, os dirigentes do PL afirmam que a federação deve recuperar a indicação e apresentar um substituto.
A avaliação entre aliados da presidência é que a permanência de Canella na disputa ao Senado tornou-se politicamente insustentável. Embora a decisão tenha caído à federação, interlocutores de Flávio afirmaram que insistir na candidatura significaria mais um desgaste a uma chapa que já passou por sucessivas mudanças desde o início do ano.
Integrantes da cúpula do PL no Rio ouvidos pela GLOBO , sob reserva, afirmam que vão aguardar a posição da federação e avaliar que a substituição é “natural” para evitar que o episódio comprometa a chapa.
Nos bastidores, a leitura é que Canella ainda poderá permanecer na eleição, mas em outro projeto. Integrantes do PL acreditam que o ex-prefeito deve reavaliar os planos e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, hipótese considerada mais viável diante do impacto político da operação. Procurado, Canella não se manifestou.
O episódio representa a segunda revés consecutiva de Flávio na tentativa de fechar a chapa ao Senado no Rio. A nova crise ocorre justamente quando o senador ainda não conseguiu resolver a vaga deixada por Cláudio Castro (PL), que desistiu da candidatura. Flávio pretendia anunciar na última sexta-feira o novo candidato do partido ao Senado, mas adiou a decisão. Segundo interlocutores, a definição segue especificações entre o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), com vantagem, hoje, para Portinho.
Até a semana passada, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante , também figurava entre os principais cotados para herdar a vaga de Castro. O avanço da investigação da Polícia Federal sobre o suposto desvio de cotas parlamentares, porém, reduziu significativamente suas chances de disputar o Senado, na avaliação dos aliados de Flávio. Embora não tenha sido alvo da nova fase da operação deflagrada na semana passada, o investigador passou a apurar a origem dos R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel ligado ao deputado no ano passado, além das suspeitas de tentativa de dar aparência de legalidade aos recursos.
Castro havia sido escolhido pelo PL para disputar uma das vagas no Senado, mas acabou desistindo da candidatura depois de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, posteriormente, virou alvo de uma operação da Polícia Federal. Desde então, Flávio tenta reorganizar o desenho eleitoral no estado.
A situação criou desconforto dentro do PL. Embora dirigentes façam críticas reservadas ao que chamam de concentração de operações contra aliados do bolsonarismo, poucos demonstram surpresa com o fato de Canella ter entrado na mira da investigação. Um membro da legenda afirma que o ex-prefeito “é metido mesmo em esquema”, mas reclama que as operações policiais acabam atingindo de forma recorrente aliados do partido, enquanto casos envolvendo adversários tiveram menor repercussão.
Apesar das reclamações, os dirigentes do partido admitiram que lançassem um candidato ao Senado sob investigação dessa dimensão representaria um risco elevado para a campanha presidencial de Flávio. A avaliação é que a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa chegar ao início oficial da disputa com um palanque estabilizado no Rio, estado considerado estratégico para o desempenho eleitoral do senador.
A operação desta terça-feira investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Além de Canella, um dos principais alvos é o ex-secretário da Polícia Civil Marcus Amim .
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